Soja recua em Chicago corrigindo últimas altas, mas preços permanecem recordes no BR

Nesta terça-feira (15), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago terminaram o dia no vermelho. O mercado encerrou o dia realizando lucros depois de 13 consecutivos pregões de alta, mas ainda bem próximos do patamar dos US$ 10,00 por bushel. Enquanto isso, no mercado brasileiro as cotações mantiveram sua estabilidade na maior parte das praças de comercialização, registrando apenas ganhos pontuais.
Os preços têm acompanhado o cenário interno de oferta e demanda, que é bastante ajustado, e por isso se mostra cada vez mais regionalizado. Em São Gabriel do Oeste/MS, o valor subiu 3,85% para fechar com R$ 135,00 por saca, ou Luís Eduardo Magalhães/BA, com alta de 0,41% para R$ 121,50. Os indicativos são recordes e permanecem fortemente sustentados.
Nos portos, os preços também permanecem muito fortes, inclusive ára a soja da safra 2020/21. As referências seguem acima dos R$ 120,00, porém, o ritmo de negócios é mais lento neste momento, segundo explicam analistas e consultores de mercado. "No Brasil, com a liberação do plantio da soja em alguns estados os produtores aumentam a ansiedade diante da nova safra. Entretanto, recomendamos paciência no avanço com as novas vendas", explica o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira.
Os alertas emitidos pelo clima para o início da nova safra brasileira exigem atenção. Embora seja muito cedo para falar em perdas, o mercado já se mostra um pouco mais aprensivo, principalmente com quase 60% da nova temporada já comprometida com a comercialização.
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BOLSA DE CHICAGO
Os fundamentos seguem positivos para os preços, bem como o posicionamento dos fundos, no entanto, a correção já vinha esperada diante das fortes e consecutivas altas das útlimas semanas. Os preços estão nos mais elevados patamares desde 2018. Ainda assim, segue o foco sobre as questões climáticas - nos EUA e no Brasil - e sobre a demanda, que trouxe boas novas nesta terça.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou a venda de 264 mil toneladas de soja e 120 mil toneladas de milho nesta terça-feira. Do total da soja, todo volume é da safra 2020/21, sendo 132 mil toneladas para destinos não revelados e 132 mil para a China. Desde julho, segundo explica a Agrinvest Commodities, o USDA já informa um acumulado de vendas de 11,42 milhões de toneladas de soja e 10,72 milhões de toneladas de milho.
No entanto, a ARC alerta ainda para um pedido da China na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra as implementações tarifárias dos EUA iniciada em 2018, o que ajudou a pesar sobre as cotações.
"A OMC acatou o pedido da China, trazendo a primeira perda no embate comercial para o lado da Administração de Trump. O processo ainda entrará em julgamento, entretanto a situação pro- mete apimentar os ânimos entre Estados Unidos e China. Além do mais, tem sido difícil manter uma visão extremamente “otimista” para os preços da soja
em Chicago acima dos US$10,00/bu. Para que este patamar seja mantido, será necessário a chegada de mais demanda chinesa pela oleaginosa estadunidense nestas próximas semanas", explica Pereira.
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