Posição líquida dos fundos é recorde na soja e a maior para milho e trigo desde 2012

Os mercados de grãos e do complexo de soja vêm registrando fundamentos bastante importantes, porém, o comportamento dos fundos investidores exigem a mesma atenção - ou ainda mais neste momento - pelos números recordes que registra na soja, farelo, óleo, milho e trigo. Até a última terça-feira (15), de acordo com os números divulgados pelo CFTC (Commodity Futures Trading Comission), a posição líquida era de 192 mil contratos comprados da soja, 58,6 mil no milho e 15,1 mil no trigo.

Posição líquida dos fundos em soja, milho, trigo, farelo e óleo - Fonte: Karen Braun
"As estimativas indicam que até sexta-feira os números são novos recordes na posição comprados para a soja e registram os mais elevados patamares desde 2012 para milho e trigo", explica a especialista internacional em commodities, Karen Braun. Abaixo, os gráficos da analista ilustram o comportamento desses fundos.
Posição líquida dos fundos na soja - Fonte: Karen Braun

Posição líquida dos fundos no milho - Fonte: Karen Braun
Os números refletem as posições até a última terça-feira e, com os ganhos intensos acumulado até esta sexta-feira - 4% nas posições mais negociadas na Bolsa de Chicago - a estimativa é de que os números para a soja estejam entre 205 e 220 mil contratos, segundo estimativas do consultor em agronegócios Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. O último recorde foi de 253 mil, em 2012.
"Em soja, milho e trigo, os fundos comprados somam um montante de US$ 28,7 bilhões, US$ 2 bilhões a mais na semana e máxima em 27 meses", afirma o economista chefe de commodities do StoneX Group, Inc.

E todo o complexo soja sinaliza números fortes e recordes. Para o óleo são estimados cerca de 10 mil contratos e para o farelo, de 80 a 90 mil. E a demanda é a principal responsável por este comportamento.
Somente entre os futuros da oleaginosa em grão, os preços vêm registrando seu mais longo rally em 40 anos, e o mercado futuro norte-americano vem confirmando, diariamente,que está, de fato, passando por um novo momento e construindo novos patamares. Esta é a sexta semana consecutiva de ganhos para a commodity com ganhos acumulados de mais de 4% entre as posições mais negociadas.
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A demanda chinesa, por mais que a notícia pareça já sabida e conhecida pelo mercado, continua sendo o mais forte combustível para todo esse movimento de alta para as cotações e pelo comportamento agressivo dos fundos de investimentos na ponta compradora. "Os fundos estão muito bem posicionados e dia a dia adicionam mais lotes, mais contratos", afirma o diretor do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa.
E como explica o executivo, tais números podem ser explicados com números intensos das importações chinesas até este momento. São 13,12 milhões de toneladas de trigo - 7% a mais do que no mesmo período do ano passado - 20,45 milhões de toneladas de milho - 11,79 milhões a mais - e 32,33 milhões de soja - volume 21,09 milhões de toneladas superior ao ano anterior.
O que poderia mudar o comportamento dos fundos seria, ainda segundo Sousa, seria a China parar de comprar tão agressivamente nos EUA e se voltar para o Brasil, ou as condições de clima no Brasil melhorarem para nova safra. Caso contrário, o mercado da soja tem espaço para buscar novas altas, principalmente porque já furou todas as resistências. Agora, rompendo os US$ 10,50, pode buscar os US$ 10,70 em Chicago.
1 comentário
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Geraldo Nardelli Marília - SP
Pois é... a cada dia mais se confirma a tendência de alta no preço das commodities... O primeiro sinal foi ainda em maio/2019. De lá para cá, os big players encerraram posições vendidas que carregavam desde 2012 e já estão do lado comprado..., inclusive Warren Buffett investiu em 2019 mais de U$ 30 Bi em commodities ou empresas ligadas à commodities... Por que será ??? Caridade é que não... Liquidez mundial alta, BCs injetaram milhões nas economias (nas mãos dos investidores) e juros negativos.
Onde vão ganhar dinheiro??? Está claro que é em commodities. Venho dizendo há tempos e creio que há chances reais de retomarmos e até ultrapassarmos os preços recordes alcançados em 2012. É pena que esta safra colhida em 2020 foi vendida a preços baixos e grande parte da safra 2021 já travada a preços baixos. Dessa forma, os PRODUTORES RURAIS continuaram "transferidores de renda". A conduta é até justificável, afinal "cachorro mordido de cobra tem medo até de linguiça". Haviam 8 anos que os preços estavam declinantes. É hora de aproveitar o ciclo de alta para se capitalizar.Fundos muito comprados deixa o mercado em posição vulnerável, qualquer informação negativa pode derrubar as cotações...
Mais agora e diferente.... tem muito papel,mais não tem produto....