BC admite descolamento grande em preços a produtores e consumidores, mas vê papel de combustíveis

O Banco Central reconheceu nesta quinta-feira um descolamento grande entre a inflação ao produtor (IPA) e ao consumidor (IPCA), com a diferença observada em agosto tendo sido a maior desde 2003 considerando variações em trimestres móveis, mas indicou que a evolução dos preços de combustíveis é parte importante do fenômeno.
Em box publicado em seu Relatório Trimestral de Inflação, o BC fez uma análise de componentes similares nos dois índices, já que o IPA puro não inclui serviços, mas abarca, com peso relevante, bens que são em grande parte exportados, como soja e minério de ferro.
Considerando esse recorte, o BC admitiu a existência de alguns componentes com maior discrepância nos três meses encerrados em agosto: combustíveis para veículos, leites e derivados, combustíveis domésticos (GLP) e veículos próprios.
"Destaca-se a grande influência de combustíveis para veículos, que contribuiu com -2,5 pontos percentuais para a diferença de -4,5 pontos percentuais entre IPCA-correspondente e IPA-correspondente", disse o BC.
A autoridade monetária ponderou que, nos meses anteriores, o descolamento nos preços de combustíveis teve magnitude grande em sentido contrário.
"Tais discrepâncias podem advir de repasse incompleto – por exemplo, pelo fato de o preço ao produtor ser apenas uma parte do preço final ao consumidor –, de repasse defasado, ou mesmo de imperfeições no mapeamento. No caso de combustíveis para veículos, a primeira hipótese parece explicar a maior parte do descolamento", afirmou.
Segundo o BC, é possível que o movimento distinto do IPCA-correspondente e do IPA-correspondente reflita parcialmente alguma defasagem de repasse em determinados itens. Mesmo assim, disse acreditar que as condições atuais da economia, com elevado grau de ociosidade, "podem contribuir para que o eventual repasse seja menor que o usual".
O fato da inflação ao produtor ter disparado nas últimas leituras acendeu o alerta quanto a repasses subsequentes para os consumidores, o que tenderia a pressionar o IPCA para cima.
No relatório desta quinta-feira, contudo, o BC voltou a avaliar que "diversas medidas de inflação subjacente permanecem abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta", dada pelo IPCA.
No curto prazo, o BC vê alta do IPCA de 0,40% em setembro, 0,30% em outubro e 0,27% em novembro. A inflação acumulada em 12 meses deve então cair de 2,85% em novembro para cerca de 2,1% em dezembro, "com o descarte da alta atipicamente elevada observada em dezembro de 2019, na esteira do choque nos preços das carnes".
A meta de inflação deste ano é de 4% pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos.
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