Governos ocidentais suspendem negociação de novas regras de crédito à exportação

Por David Lawder e Lisa Lambert
WASHINGTON (Reuters) - Onze dos 18 governos que tentam negociar novas regras de crédito à exportação disseram nesta quinta-feira que vão suspender as negociações técnicas por causa de posições amplamente divergentes entre os membros e problemas com transparência.
Mas, em uma declaração conjunta, os 11 governos, incluindo Estados Unidos, União Europeia e Japão, disseram que continuam abertos a uma reunião de alto nível em um ano e à discussão de propostas no nível vice-ministerial.
A ação interrompe oito anos de negociações lançadas em 2012 a partir de uma iniciativa conjunta EUA-China para tentar criar novas regras internacionais sobre o uso de agências oficiais de crédito à exportação, que seriam seguidas por países da OCDE, bem como por grandes países emergentes, incluindo China, Índia e Brasil.
Essas agências fornecem empréstimos, seguros e outras garantias para facilitar as exportações para países em desenvolvimento onde o financiamento do setor privado não está disponível ou é muito caro. Um aumento maciço no financiamento à exportação chinesa nos últimos anos perturbou entendimentos anteriores entre as economias ricas do G7.
No comunicado, vice-ministros da Austrália, Brasil, Canadá, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Suíça, Turquia e Estados Unidos disseram que os membros do grupo de trabalho internacional permanecem "significativamente divergentes" em questões centrais , particularmente transparência.
"Portanto, não podemos justificar a participação contínua nas negociações técnicas, a menos e até que os membros assumam os compromissos de alto nível necessários que permitirão a retomada das negociações técnicas", disseram.
Os vice-ministros da China, Índia, Rússia, África do Sul, Indonésia, Israel e Malásia não assinaram o comunicado, destacando a divergência entre os membros.
A declaração vem poucos dias antes de uma cúpula dos líderes do G20 neste fim de semana, que deve se concentrar fortemente na necessidade de mais reestruturação da dívida devido à pandemia de coronavírus.
(Reportagem de Lisa Lambert e Susan Heavey)
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