Dólar volta a ganhar fôlego e se aproxima de máximas com piora externa após inflação nos EUA

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar acelerava a alta e se aproximava das máximas acima de 5,27 reais alcançadas logo após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira, cujos números mais altos causavam amplo movimento de saída de ativos de risco e empurravam a moeda norte-americana para cima de forma generalizada.
Os preços ao consumidor nos EUA subiram mais do que o esperado em abril, uma vez que a crescente demanda em meio à reabertura da economia encontrou restrições de oferta. Dados do Departamento do Trabalho norte-americano mostraram que o índice da inflação ao consumidor subiu 0,8% no mês passado, resultado bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,2%.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice saltou 0,9%, leitura também acima da projeção em pesquisa de alta de 0,3%.
Às 12:39, o dólar avançava 0,74%, a 5,2626 reais na venda. Logo após as 9h30, horário da divulgação dos números de inflação nos EUA, a cotação deu um salto, saindo de 5,2290 reais para uma máxima intradiária de 5,2735 reais (+0,95%).
O dólar até chegou a devolver os ganhos posteriormente, virando para queda de 0,24%, a 5,2116 reais. Mas os mercados externos voltaram a piorar o sinal, o que aumentou a busca pela segurança da divisa norte-americana, que saltava 0,55% em relação a uma cesta de pares.
O dólar subia entre 0,5% e 1,7% contra uma lista de importantes pares do real.
Em post no Twitter, a Infinity Asset destacou que o cenário expresso pelo relatório "incrementa temores de retirada dos estímulos por parte do Fed, ainda que o mesmo cite o choque como 'temporário'".
Desde que a maior economia do mundo começou a dar sinais de reabertura, o banco central dos Estados Unidos tem repetido sua promessa de manter intacta a política monetária expansionista, estabelecendo o pleno emprego e a consolidação de sua meta de inflação como condições para um aperto monetário.
Apoiando apostas de que o Federal Reserve não elevaria os juros ante seu patamar próximo a zero e manteria seu ritmo de compras de ativos por um bom tempo, um importante relatório de emprego norte-americano divulgado semana passada veio bem abaixo do esperado.
Mesmo assim, os mercados monetários dos EUA precificam agora 100% de probabilidade de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base até dezembro de 2022, contra 88% antes dos dados de inflação.
Um cenário de juros mais altos nos EUA tende a prejudicar moedas emergentes, uma vez que investidores abrem mão de ativos de risco e migram para mercados em dólar.
O dólar spot fechou a terça-feira em queda de 0,17%, a 5,2241 reais na venda.
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