Influência "às avessas" do governo argentino no agronegócio reduz ainda mais sua competitividade
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Entrevista com Leonardo Trevisan - Professor da ESPM São Paulo sobre a Suspensão de exportações de carne na Argentina
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A notícia desta semana de que a Argentina suspendeu suas exportações de carne por pelo menos um mês mostra que, mais uma vez, o governo enxergou no setor uma forma de justificar as expectativas inflacionárias do país completamente fora de controle, como explica Leonardo Trevisan, professor da ESPM São Paulo, em entrevista ao Notícias Agrícolas.
"Em março, a inflação na Argentina estava em 42,3%, em abril saltou para 47,1%. O governo ficou sem discurso para as eleições agrícolas de outubro e aí, como sempre acontece na Argentina, procurou um culpado para este novo ciclo inflacionário. E o culpado foram as exportações das carnes", diz.
Todavia, Trevisan afirma que o governo comete um erro que já conhece e, que por ser um erro, não alcança os objetivos como uma medida como essa teria de controlar a inflação.
A atual vice-presidente argentina, Cristina Kirchner, foi, enquanto presidente, responsável por uma das mais severas crises da pecuária argentina e decisões estão semelhantes estão sendo tomadas agora no governo de Alberto Fernandez.
"Tivemos dois episódios bastante marcantes muito semelhantes a este. Em 2006, já no governo de Cristina, a ideia foi fechar as exportações com uma resistência enorme, o que, aliás, é o motivo da organização da famosa mesa de enlace, que reúne as diferentes organizações agrárias argentinas, um fenômeno que aqui no Brasil nós não temos. Em 2008, o mesmo caso, não atingindo só a carne, mas também a produção de milho e soja, provocou 129 dias de bloqueio das estradas, um episódio marcante. Como se vê, o erro está repetido. É a mesma ideia de que num passe de mágica se poderá controlar o processo inflacionário que, na prática, na responsabilidade, não é , obviamente, de um só produto, nesse caso a carne", explica o professor.
Já há uma sinalização do Ministério da Agricultura de que o governo poderia voltar atrás em sua decisão caso os preços da carne começassem a ceder diante de um posicionamento de players importantes na concorrência frente à carne argentina, como Uruguai e Colômbia, já buscando ampliar sua participação nestes mercados.
"Se a Argentina claudicar, abandonar seus mercados, os chineses vão procurar outros fornecedores, sem nenhuma dúvida. E a estrutura brasileira é a melhor adaptada para isso", afirma Leonardo Trevisan. A ressalva fica por conta de frigoríficos brasileiros que estão na Argentina, como Minerva e Marfrig.
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