ONS vê alta na carga de energia em junho e chuvas fracas em hidrelétricas

Por Luciano Costa
SÃO PAULO (Reuters) - A carga de energia do Brasil deverá seguir em junho com vigorosa recuperação na comparação anual, mesmo com a continuidade da pandemia, projetou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta sexta-feira, enquanto as chuvas na área das hidrelétricas devem manter níveis fracos vistos nos últimos meses.
As precipitações nas usinas hídricas foram estimadas pelo ONS em 63% da média histórica para o Sudeste/Centro-Oeste, que concentra os maiores reservatórios, e em apenas 38% no Nordeste, segunda região em armazenamento.
As perspectivas negativas vêm um dia após o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ter afirmado que prevê a manutenção das condições secas nos próximos meses, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.
Liderado pelo Ministério de Minas e Energia, o CMSE recomendou à Agência Nacional de Águas (ANA) que seja reconhecida a situação de "escassez hídrica" na bacia do Paraná devido à falta de chuvas.
Antes, o governo já havia destacado que o período de setembro a maio registrou as piores precipitações na região das hidrelétricas do país em 91 anos de histórico.
Diante do cenário, o CMSE destacou a importância de flexibilização em algumas restrições à operação de hidrelétricas, o que precisa ser discutido com órgãos como a ANA e o Ibama.
A decisão do CMSE será encaminhada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no qual têm assento diversos ministros, incluindo o do Meio Ambiente.
O governo do presidente Jair Bolsonaro também criou em meados deste mês uma "sala de situação" para acompanhar a crise hídrica no setor de energia, um grupo que inclui representantes de diversas pastas, além de membros da ANA e do Ibama.
A situação de seca, que pressiona o sistema de geração do Brasil, fortemente dependente das hidrelétricas, ainda ocorre em momento de acentuada recuperação da demanda após impactos iniciais da pandemia.
A carga de energia do sistema interligado do Brasil deve avançar em junho 6,6% frente ao mesmo período de 2020, quando as atividades eram mais afetadas por medidas de isolamento social para evitar a disseminação do coronavírus.
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