BRF avalia que levará tempo para preços refletirem alta de custos de grãos
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Por Ana Mano
SÃO PAULO (Reuters) - A companhia de alimentos brasileira BRF avaliou nesta sexta-feira que é necessário mais tempo para que os preços dos produtos no Brasil reflitam totalmente os custos mais altos dos grãos que pesaram em seus resultados no segundo trimestre, disse o CEO Lorival Luz, em teleconferência com analistas.
Após anunciar na véspera um prejuízo líquido no segundo trimestre, também refletindo as maiores despesas financeiras no período, as ações da BRF chegaram a cair até 3,5%, reduzindo perdas perto do meio-dia para 0,6%.
O maior exportador de carne de frango do mundo apontou os altos estoques do produto em alguns países, como o Japão, como motivo para não conseguir elevar os preços no mercado brasileiro, onde a companhia realiza a maior parte de suas vendas.
Com a queda dos estoques globais de carnes, a BRF espera ajustar os preços e recuperar parte das margens perdidas nos próximos trimestres.
"O ambiente adverso do ponto de vista da estrutura de custos afetou todas as empresas do setor", disse Luz.
O CEO afirmou que o aumento nos custos dos grãos foi sem precedentes, reconhecendo que afetou alguns mercados mais do que outros.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as empresas de alimentos conseguiram repassar mais rapidamente os custos elevados para os preços, mas não foi o caso no Brasil.
A BRF possui fábricas no Brasil e no Oriente Médio, sendo um dos principais fornecedores globais de alimentos halal.
Em teleconferência com jornalistas, Luz reiterou os planos de instalação de unidades de produção em pelo menos um país da América do Norte, Europa ou até mesmo na China, mas não deu prazo para isso.
O CFO Carlos de Moura disse que o aumento do preço do diesel também elevou os custos no Brasil, uma vez que a empresa enfrentou custos de frete mais altos.
A BRF também disse que a pandemia prejudicou seu desempenho financeiro, principalmente no Brasil e nos mercados halal localizados no Golfo Pérsico.
A rival JBS registrou um lucro de 4,38 bilhões de reais no segundo trimestre, quase 30% maior do que no mesmo período do ano anterior, em parte impulsionado por seu negócio de carnes nos EUA.
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