CPI da Covid deve cancelar acareação entre Onyx e Luis Miranda
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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA (Reuters) - A CPI da Covid deve cancelar a acareação entre o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni e o deputado Luis Miranda (DEM-DF), marcada inicialmente para a quarta-feira, disse à Reuters nesta segunda-feira o senador Humberto Costa (PT-PE), um dos integrantes da Comissão.
De acordo com o senador, a avaliação do grupo de senadores independentes e de oposição na CPI, é de que a acareação pouco contribuiria para esclarecer a questão dos problemas da compra da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin.
Onyx, então na secretaria-geral da Presidência, foi o ministro escalado para responder as acusações de Miranda de que havia indícios de corrupção na aquisição da vacina e de que teria apresentado os problemas ao presidente Jair Bolsonaro.
À época, Onyx apresentou uma fatura da venda da Covaxin diferente da mostrada pelo deputado para dizer que não haveria pagamento antecipado e que Miranda estava mentindo.
Com a análise do documento apresentado por Onyx pela CPI, os senadores concluíram que ele era falso.
A avaliação dos senadores, no entanto, é que a acareação, aprovada na semana passada, serviria apenas para troca de acusações, mas não traria novos esclarecimentos.
Esta semana, a CPI pretende ouvir Francisco Maximiano, o presidente da Precisa Medicamentos, intermediária da venda da Covaxin e que acabou perdendo o contrato depois que veio à tona que a empresa teria falsificado documentos em nome do laboratório indiano Bharat Biotech, desenvolvedor da vacina.
Também deve ser ouvido o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Marques, autor de um relatório usado por Bolsonaro para dizer que havia supernotificação de mortes por Covid-19 por parte dos Estados.
Em seu depoimento ao TCU, na semana passada, Marques garantiu que o material escrito por ele não tinha nenhuma menção e não usava cabeçalho ou qualquer material oficial do TCU, e foi mandado por mensagem em um arquivo de Word para seu pai, que é amigo do presidente.
Marques afirmou que o documento foi alterado para indicar que teria vindo do TCU e culpou o Palácio do Planalto pela adulteração.
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