Antes de Ptax, dólar desce à casa de R$5,11 com exterior positivo e dados locais melhores
![]()
Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliou as perdas frente ao real no fim da manhã desta terça-feira, chegando à casa de 5,11 reais em meio ao ambiente internacional positivo e a dados domésticos melhores do que o esperado, com a moeda refletindo ainda ajustes pouco antes da definição da Ptax de fim de mês.
Às 12:28, o dólar recuava 1,21%, a 5,1266 reais na venda, após tocar 5,11585 reais na mínima do pregão, queda de 1,41%.
"Ontem já foi um dia positivo no exterior, e o real não estava conseguindo aproveitar muito bem o otimismo externo", explicou Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital. "A percepção de que a redução de estímulos nos Estados Unidos vai começar só no final de ano começou a deixar o cenário mais favorável (para ativos arriscados) internacionalmente."
A moeda norte-americana tem perdido terreno globalmente desde sinalização mais "dovish" do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, na sexta-feira passada durante o simpósio econômico de Jackson Hole. O termo "dovish" se refere a uma abordagem menos conservadora acerca da inflação, o que poderia justificar estímulos monetários e juros baixos.
Elevando a expectativa de paciência na redução de estímulos pelo Fed, dados desta manhã mostraram que um índice que acompanha a confiança do consumidor norte-americano recuou para uma mínima em seis meses em agosto.
O índice do dólar chegou a tocar mínimas em mais três semanas nesta manhã. Rand sul-africano, lira turca, peso chileno e peso mexicano, pares do real, se valorizavam entre 0,3% e 1,3% nesta terça-feira.
Segundo Bergallo, o que ajudou o mercado de câmbio doméstico a entrar na onda de apetite por risco internacional foram dados locais um pouco melhores do que a expectativa do mercado.
O IBGE informou mais cedo que a taxa de desemprego chegou a 14,1% no trimestre até junho, de 14,6% nos três meses até maio. A mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 14,4% no período.
Além disso, afirmou o especialista, "é normal ver pressão técnica no último dia do mês, neste caso de quem está vendido em contratos cambiais", devido à formação da Ptax de fim de mês. A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para liquidação de derivativos. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes a suas posições.
Bergallo também afirmou que "não dá para deixar de considerar a precificação de mais altas da taxa Selic" à frente, que tendem a deixar o mercado de renda fixa local mais atraente para o investidor estrangeiro.
0 comentário
Wall Street abre em alta no primeiro dia de negociação de 2026
Ibovespa reduz fôlego com Petrobras; Minerva e MBRF recuam tendo China no radar
Petrobras ativa 7ª plataforma de Búzios e retoma fábrica de fertilizantes em Sergipe
Taxas dos DIs têm queda firme em sessão de baixa liquidez
Retração da indústria do Brasil se aprofunda em dezembro, mostra PMI
Ibovespa avança na abertura de 1º pregão do ano acompanhando exterior