Dólar fecha em queda de 0,77%, a R$5,6244 na venda
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reverteu intensos ganhos registrados durante o pregão, que o levaram acima dos 5,75 reais, e fechou em queda contra a divisa brasileira nesta sexta-feira, com garantias do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que não deixará o cargo amenizando temores de descontrole total da situação das contas públicas.
Ainda assim, o dólar registrou sua maior valorização semanal desde julho.
O dólar à vista recuou 0,77%, a 5,6244 reais na venda, depois de chegar a tocar 5,7551 reais no pico do dia, alta de 1,53%. Segundo participantes do mercado, as máximas do dia foram alcançadas em meio a boatos sobre possível saída de Guedes de seu cargo, uma vez que estaria insatisfeito com os planos do governo de desrespeitar o teto de gastos para financiar o Auxílio Brasil.
Mas Guedes negou na tarde desta sexta-feira, em entrevista à imprensa, que tenha pedido demissão, o que ajudou o dólar a fechar mais de 13 centavos abaixo das máximas intradiárias.
"Parece que seria marginalmente preferível que (Guedes) ficasse no cargo, mesmo que o mercado pense que sua credibilidade tenha diminuído consideravelmente", disseram estrategistas do Citi em nota.
Em seus comentários desta sexta-feira, Guedes disse que não houve mudança nos fundamentos da economia brasileira com a fórmula encontrada para financiar o novo Bolsa Família, embora tenha admitido que prefere tirar uma nota mais baixa no quesito fiscal em troca de atendimento aos mais frágeis.
Apesar da desvalorização do dólar nesta sessão, investidores chamaram a atenção para as impressionantes volatilidade e amplitude observadas no decorrer da sessão, o que seria reflexo da percepção de que o governo vai mesmo desrespeitar o teto de gastos para financiar um Auxílio Brasil mais robusto.
O furo do que é considerado hoje a grande âncora das contas públicas do país para financiar os benefícios sociais poderia abrir caminho para mais gastos fora das regras fiscais vigentes, temem especialistas, principalmente com a interpretação de que se trata de uma guinada populista do governo com a aproximação das eleições de 2022.
Em meio ao preocupante noticiário fiscal dos últimos dias, a moeda norte-americana encerrou a semana com alta de 3,115%, a mais acentuada desde a semana finda em 9 de julho deste ano (+4,01%).
A exemplo de quinta-feira, o Banco Central não anunciou ofertas líquidas de dólar nesta sessão.
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