Dólar tem leve alta ante real com mercado de olho em incertezas fiscais
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha leve alta em relação ao real nesta quinta-feira, ampliando seus ganhos para uma quarta sessão consecutiva, à medida que participantes do mercado avaliavam as perspectivas fiscais do Brasil em meio à tramitação da PEC dos Precatórios no Congresso.
O mercado passou a considerar que a PEC seria a opção viável para o governo fornecer auxílio à população de pelo menos 400 reais por família no ano que vem sem levar a descontrole das contas públicas, embora continue sendo vista como prejudicial à credibilidade fiscal do Brasil, por alterar regras do teto de gastos.
Mas temores de adoção de "planos B" pelo governo para financiar mais gastos persistem, enquanto um texto alternativo apresentado à PEC na quarta-feira por três senadores -- prevendo o pagamento dessas dívidas da União fora do teto dos gastos públicos -- desagradou investidores.
"Isso indicaria que o país não tem liquidez para honrar suas obrigações", disse à Reuters Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba, citando preocupações do mercado com a trajetória da dívida pública no longo prazo.
Além disso, "a imprevisibilidade pesa no mercado", afirmou o especialista, uma vez que não há perspectivas claras sobre qual versão do texto da PEC será aprovada pelo Congresso.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a proposta dos senadores de tirar o pagamento de precatórios do teto de gastos, ressaltando que, num cenário em que a PEC não seja aprovada no Senado com o formato já chancelado pelos deputados, aí sim ele se preocupará com a economia em 2022.
Às 10:07, o dólar avançava 0,25%, a 5,5400 reais na venda. Na B3, o dólar futuro tinha ganho de 0,17%, a 5,5495 reais.
Segundo Schroeder, a moeda norte-americana também era apoiada por perspectivas crescentes de aperto monetário mais cedo do que o esperado nos Estados Unidos, conforme evidências de persistência da inflação e progresso na recuperação econômica aumentam a pressão sobre as autoridades do Federal Reserve, banco central do país, para que aumentem os custos dos empréstimos já em 2022.
No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de moedas tinha queda de 0,16% nesta quinta-feira, mas continuava em patamares elevados depois de alcançar máximas em 16 meses recentemente.
Com a perspectiva de uma política monetária mais restritiva na maior economia do mundo no ano que vem somando-se ao cenário doméstico desencorajador, Schroeder disse estar pessimista em relação ao desempenho do real no médio prazo.
Para o final de 2022, quando o Brasil verá eleições presidenciais possivelmente polarizadas, a projeção é de que o dólar fique em 5,90 reais, disse ele.
No fechamento da véspera, o dólar registrou alta de 0,48%, a 5,5264 reais na venda.
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