CMO aprova texto principal da lei orçamentária de 2022
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Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) - A Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou nesta terça-feira o parecer do relator-geral da Lei Orçamentária Anual (LOA), deputado Hugo Leal (PSD-RJ), que prevê 4,9 bilhões de reais para o fundo eleitoral e ainda reserva 1,7 bilhão de reais para reajuste de policiais.
Deputados e senadores ainda analisarão emendas, que podem modificar o texto-base.
Há expectativa que o Orçamento possa ser analisado pelo plenário do Congresso Nacional ainda nesta terça, assim que a tramitação na CMO for concluída.
O texto estabelece que o salário mínimo no próximo ano ficará em 1.210 reais, acima dos 1.169 reais na época em que foi enviado em julho o Orçamento pelo governo ao Congresso. Também utiliza como parâmetros para o próximo ano uma inflação de 5,02%, taxa Selic em 11,25% e o dólar de 5,55 reais.
O relatório também prevê que o fundo eleitoral para 2022 ficará em 4,9 bilhões de reais -- quase 1 bilhão de reais a menos do previsto anteriormente. Essa diferença será remanejada para o orçamento do Ministério da Educação.
Após uma série de discussões, o relator-geral cedeu e incluiu em seu parecer a previsão de 1,7 bilhão de reais para reajuste salarial a policiais da esfera federal.
O presidente Jair Bolsonaro vinha pressionando o Congresso a contemplar a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal com correções salariais, apesar da crítica de parlamentares contrários à aberutra de exceção apenas a essa categoria.
Leal ainda reservou 16,5 bilhões de reais para as chamadas emendas de relator, que têm sido alvo de contestações no Supremo Tribunal Federal (STF) por dificuldades quanto à transparência dos reais beneficiários dos recursos. Esse tipo de emenda chegou a ser chamada popularmente de "orçamento secreto".
MARGEM FISCAL
O parecer aprovado prevê ainda que, após a aprovação das emendas constitucionais que alteraram a forma de pagamento dos precatórios, será criada uma margem fiscal para o próximo ano de 113,1 bilhões de reais, valor superior aos 106 bilhões de reais que o governo federal vinha prevendo.
Segundo o documento, esse espaço orçamentário "permitiu a alocação das dotações necessárias para viabilizar a ampliação do Programa Auxílio Brasil, que poderá beneficiar cerca de 17,9 milhões de famílias brasileiras em situação de pobreza e de extrema pobreza, além de aportes adicionais para as áreas de saúde, previdência e assistência social".
O parecer prevê também que serão pagos no próximo ano, sujeito ao teto de gastos, 45,6 bilhões de reais referentes às despesas decorrentes de sentenças judiciais, o que "possibilitou a abertura de espaço fiscal de 43,5 bilhões reais relativo ao teto de gastos do Poder Executivo".
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