Dólar vai ao menor patamar em 3 meses frente ao real após decisão do Fed e discurso de Powell
![]()
Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em seu patamar mais baixo em quase três meses frente ao real nesta quarta-feira, com ativos de risco do mundo inteiro reagindo positivamente à decisão de política monetária do Federal Reserve, que veio em linha com o esperado, e ao discurso relativamente brando do chefe do banco central norte-americano, Jerome Powell.
A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 0,25%, a 5,0633 reais na venda, patamar de encerramento mais baixo desde 4 de novembro passado (5,0524), iniciando fevereiro com viés negativo.
O Federal Reserve elevou sua meta de taxa de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, embora tenha voltado a prometer "aumentos contínuos" nos custos de empréstimos como parte de sua batalha ainda não resolvida contra a inflação.
"Tanto o (resultado do encontro do) Fed quanto o Copom mais tarde já estavam precificados no mercado. Por conta disso, a maior expectativa não era pelo anúncio em si, mas pela fala pós-evento", avaliou Evandro Caciano dos Santos, chefe de câmbio da Trace Finance.
Após a decisão de política monetária, Powell comemorou nesta quarta-feira um recente arrefecimento nos dados de inflação e disse que suas esperanças de um pouso econômico suave permanecem vivas, ainda que tenha ressaltado que não houve progresso suficiente para trazer as pressões de preços de volta à meta de 2% do banco central.
Roberto Motta, estrategista da Genial Investimentos, comentou em publicação no Twitter que Powell está "falando o que o mercado quer ouvir", destacando os momentos do discurso em que o chair do Fed chamou a atenção para indícios de desinflação.
Após a reunião de política monetária do banco central dos EUA, futuros vinculados à taxa básica do Fed mantiveram apostas de que os juros atingirão pouco menos de 5% em junho deste ano, também precificando cortes nos custos dos empréstimos até o final de 2023, de acordo com dados da ferramenta FedWatch da Refinitiv desta quarta-feira.
"Na minha visão, o Fed está cada vez mais próximo da sua meta de redução da inflação e colecionando evidências que justificam esse entendimento. Analisando todos os índices econômicos divulgados nos últimos meses eu estou confiante e otimista de que a fase mais dura da crise nos EUA, com pico inflacionário, já ficou para trás", comentou Carlos Vaz, presidente-executivo da Conti Capital.
Já no Brasil, o Banco Central deve manter a taxa Selic em 13,75% ao ano ao fim de seu encontro de política monetária, após o fechamento dos mercados, com investidores atentos ao tom do comunicado da autarquia.
Quanto maior o diferencial entre os custos dos empréstimos domésticos e internacionais, mais atraente fica o real para uso em estratégias de "carry trade", que consistem na contratação de empréstimo em país de juro baixo e aplicação desses recursos em praça mais rentável. Desta forma, a manutenção da Selic no nível elevado atual e um arrefecimento do aperto monetário do Fed tendem a jogar a favor da divisa brasileira.
Foi justamente esse diferencial de juros um dos fatores que levou o dólar a cair 3,82% frente ao real no acumulado de janeiro, após dois meses seguidos de alta, embora investidores também citem a reabertura da China e acenos da equipe econômica do governo à responsabilidade fiscal como um suporte adicional para o real.
0 comentário
Jovem Pan: Sob ameaça dos EUA, Irã volta a bombardear Israel
Trump promete mais ataques à infraestrutura iraniana enquanto nações buscam abrir Ormuz
Distribuidoras nacionais ficam de fora de 1ª fase do programa de subvenção ao diesel, mostra ANP
Ibovespa fecha quase estável com suporte de petrolíferas
Dólar fecha o dia estável com expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz
Barein espera que resolução sobre Ormuz seja votada na ONU, mas China se opõe ao uso da força