Ibovespa tem queda com peso de Petrobras e cautela após colapso do SVB
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Por Andre Romani
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, diante do declínio de Petrobras na esteira dos preços do petróleo no exterior, em sessão marcada pela repercussão de medidas emergenciais tomadas por reguladores norte-americanos após o colapso do Silicon Valley Bank.
Na ponta oposta, os avanços de Vale e Magazine Luiza foram as principais influências positivas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,48%, a 103.121,36 pontos. No pior momento, chegou a 102.254,72 pontos --mínima intradia do ano. O volume financeiro no pregão somou 21,5 bilhões de reais.
No domingo, o Federal Reserve, o Tesouro norte-americano e o Federal Deposit Insurance Corp (FDIC) lançaram medidas de emergência para reforço da confiança no sistema bancário norte-americano, incluindo determinação de que os clientes do SVB terão acesso a todos os seus depósitos a partir desta segunda-feira.
O SVB foi fechado na sexta-feira por reguladores, em meio a um forte declínio nos depósitos de startups na instituição, na esteira de uma seca de financiamento de capital de risco, sendo o maior banco a quebrar nos Estados Unidos desde a crise de 2008. A instituição era especializada em financiamento a startups de tecnologia.
As medidas anunciadas nos EUA trouxeram algum alívio, mas a cautela persiste. Analistas do BofA Securities avaliaram que o ambiente operacional para o setor de bancos norte-americanos piorou. Eles também cortaram os preços-alvo de vários bancos regionais, que devem enfrentar custos de "funding" mais elevados.
Diante da derrocada do SVB e a atuação dos reguladores, perdeu força a expectativa de que o Fed acelere a alta da taxa básica de juros neste mês para 0,5 ponto percentual, de 0,25 ponto na decisão anterior, com o Goldman Sachs afirmando não esperar qualquer aumento na reunião dos dias 21 e 22 de março.
O S&P 500 fechou em baixa de 0,15% em Wall Street após uma sessão volátil, com piora no final do pregão.
No Brasil, os juros futuros exibiram recuo na sessão, à medida que, em tese, a expectativa de um Fed menos duro poderia favorecer o início da queda da Selic também no Brasil. O movimento nos DIs ajudou ações mais ligadas ao consumo doméstico na bolsa, como de varejistas e construtoras.
Além disso, a cena doméstica segue pautada pela nova regra fiscal, que pode ser conhecida nos próximos dias. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse mais cedo nesta segunda-feira que quer apresentar o novo arcabouço para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta semana.
A XP Investimentos destacou em nota a clientes mais cedo que o mercado também aguarda os dois nomes que o governo indicará para a diretoria do Banco Central, com a equipe da plataforma de investimentos avaliando que há "grande chance" de ambos serem divulgados esta semana.
"Eles são fundamentais para sinalizar os rumos da política fiscal e monetária no governo Lula", ressaltou a equipe da plataforma de investimentos. Os diretores de Política Monetária, Bruno Serra, e de Fiscalização, Paulo Souza, estão em término de mandato.
Em evento nesta segunda-feira, Haddad afirmou que Lula indicará nomes técnicos para diretorias do Banco Central e que deve tomar uma decisão nos próximos dias.
DESTAQUES
- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,2%, a 23,78 reais, e BRADESCO PN cedeu 1,11%, a 13,42 reais, em meio a um ambiente ainda desafiador para o crédito no Brasil e com algum contágio do noticiário envolvendo o SVB nos EUA. BANCO DO BRASIL ON teve variação negativa de 0,63%, a 38,15 reais, e SANTANDER BRASIL UNIT mostrou declínio de 1,05%, a 26,34 reais.
- PETROBRAS PN exibiu baixa de 3,16%, a 24,19 reais, em meio ao declínio dos preços do petróleo no exterior. O contrato tipo Brent da commodity caiu 2,4%, em sessão volátil diante de temores das consequências do colapso do SVB, enquanto uma recuperação da demanda na China limitou as perdas. Além disso, o Itaú BBA fixou o preço-alvo da ação da estatal a 27 reais cada. No setor, 3R PETROLEUM ON caiu 5,4%, a 27,35 reais, enquanto PRIO ON recuou 4,34%, a 31,77 reais.
- VIA ON avançou 12,09%, a 2,04 reais, em meio à queda dos juros futuros e em sessão de ajustes, após cair mais de 6% na última sexta-feira, enquanto MAGAZINE LUIZA ON teve elevação de 9,41%, a 3,72 reais, dando continuidade à recuperação que começou ainda no último pregão, após a ação recuar a 11,5% no pior momento da sexta-feira.
- MRV ON avançou 7,31%, a 6,90 reais, a quarta alta consecutiva, também em meio ao recuo dos juros futuros. EZTEC ON subiu 1,83%.
- VALE ON ganhou 0,41%, a 85,05 reais, conforme os preços dos contratos futuros do minério de ferro avançaram na China e em Cingapura. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON valorizou-se 0,88%, a 16,06 reais.
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