Presidente do TCU diz não ver "muito espaço" para STF rever privatização da Eletrobras
![]()
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, afirmou nesta segunda-feira que não vê "muito espaço" para que o Supremo Tribunal Federal (STF) reveja a privatização da Eletrobras, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter afirmado que o governo pode acionar a corte para contestar o processo realizado durante a gestão do antecessor Jair Bolsonaro.
"Eu considero legítimo o debate, agora, algo que foi feito, pronto, acabado e se encontra em plena vigência, eu considero difícil o Supremo Tribunal Federal entrar numa questão como esta, que você tem o ato jurídico perfeito", disse Dantas em conferência organizada pela Arko Advice em São Paulo.
"A própria Constituição garante o ato jurídico perfeito. Não vejo muito espaço para uma discussão judicial. Vamos ver, o Supremo tem o direito de errar por último muitas vezes, vamos aguardar para ver", acrescentou.
Realizada em meados do ano passado, a privatização da maior elétrica da América Latina exigiu mudanças na legislação, estatutos e um elevado aumento de capital, de mais de 30 bilhões de reais, que diluiu a participação do governo federal e limitou todos os direitos de voto a 10%.
O estatuto da Eletrobras passou a incluir uma cláusula de "poison pill" para blindar movimentos de aquisição de fatias relevantes do capital da empresa por parte de acionistas. A regra atual prevê que o acionista que passar de 30% do capital da Eletrobras deve pagar ágio de 100% sobre o valor de compra das ações a todos os demais acionistas em uma oferta de aquisição de ações (OPA). Para superar 50% do capital, o prêmio a ser pago sobe a 200%.
A Advocacia-Geral da União iniciou em fevereiro estudo para verificar o que pode ser feito do ponto de vista jurídico para questionar pontos da privatização da Eletrobras, a pedido de Lula. Em entrevista na semana passada ao portal 247, Lula disse que espera que o governo "volte, se tiver condições, a ser dono da Eletrobras".
Em sua participação da conferência desta segunda, o presidente do TCU afirmou os governos Lula e Bolsonaro têm visões de mundo distintas e que a alternância de poder propicia a discussão. Mas destacou que o processo foi concluído e não houve nenhuma lei aprovada posteriormente que pudesse mudar o que foi feito.
O próprio TCU foi um dos atores institucionais que avalizaram a operação de desestatização da Eletrobras, juntamente com o Congresso Nacional.
(Reportagem de Ricardo Brito)
0 comentário
Trump diz que EUA e Irã estão conversando neste momento
Trump diz que Fed deveria reduzir taxa de juros
Drones atacam vizinhos do Irã, enquanto Teerã parece testar pausa mais recente de Trump
Rússia diz estar disposta a considerar novas ideias sobre processo de paz na Ucrânia
Tráfego marítimo no Mar Vermelho diminuiu após ataque dos houthis à Arábia Saudita
Após 18 meses, economia de Trump é uma história de choques, resiliência e sinais de estagnação