Dólar interrompe sequência de quedas e sobe mais de 1% sob influência do exterior e da Petrobras
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou esta terça-feira em alta de mais de 1% ante o real, influenciado pelo exterior, onde a moeda norte-americana também subia ante outras divisas, e pela percepção de que a mudança na política de preços da Petrobras pode segurar a inflação e, no limite, reduzir o diferencial de juros entre o Brasil e o exterior.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9419 reais na venda, com alta de 1,08%. Foi a primeira elevação da moeda norte-americana após cinco sessões em queda, com investidores também aproveitando o dia para realizar lucros e corrigir posições.
Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,98%, a 4,9580 reais.
A divisa dos EUA se manteve em alta durante praticamente todo o dia. Pela manhã, as cotações repercutiam dados da economia da China considerados fracos, que penalizavam as divisas de países exportadores como Brasil, Chile, México e Austrália.
A Agência Nacional de Estatísticas da China informou que a produção industrial no país cresceu 5,6% em abril em relação ao ano anterior. Analistas consultados pela Reuters projetavam alta de 10,9%. Já as vendas no varejo saltaram 18,4% em abril, mas os analistas esperavam por um crescimento de 21,0%.
“Os números ruins da economia chinesa estão valorizando o dólar e desvalorizando as moedas ligadas a commodities”, comentou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora. “As bolsas estão todas no negativo, então é um dia de aversão ao risco”, acrescentou.
No fim da tarde, o dólar se mantinha em alta ante boa parte das divisas no exterior.
Às 17:12 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,18%, a 102,610.
No Brasil, a nova política de preços da Petrobras, conforme profissionais ouvidos pela Reuters, abriu a perspectiva de que a inflação possa ceder mais rapidamente, o que favorece a queda da taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Assim, a diferença entre a Selic e os juros praticados no exterior --o chamado diferencial de juros-- pode diminuir, o que pressupõe a entrada de menos dólares no Brasil. Esta avaliação também ajudou a sustentar a alta do dólar ante o real.
Durante a manhã, além de divulgar sua nova política de preços, a estatal anunciou a redução no custo dos combustíveis, o que trará impactos para a inflação.
Profissionais ouvidos pela Reuters ponderaram ainda que, após cinco sessões de baixa, é natural que o dólar passe por um movimento de correção em alta.
“No Brasil, tivemos dias de queda acentuada da moeda norte-americana. Então, nestes momentos, com uma queda tão acentuada, é natural ter movimento técnico de realização dos ganhos”, comentou Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.
Na segunda-feira, a expectativa pela divulgação dos detalhes do relatório sobre o projeto do novo arcabouço fiscal, de autoria do deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA), pesou sobre as cotações no fim do dia. Nesta terça-feira, com alguns detalhes já de conhecimento público, a percepção em geral era positiva em relação ao arcabouço, mas o impacto nos preços foi reduzido.
Pela manhã, o Banco Central vendeu 7.000 dos 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de julho.
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