Juros futuros caem no Brasil após IPCA-15 melhor que o esperado
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em baixa no Brasil, pela quarta sessão consecutiva, após o IPCA-15 indicar uma alta de preços menor que a esperada em janeiro, enquanto no exterior o dia foi de avanço dos rendimentos dos Treasuries, apesar da divulgação de dados também favoráveis da inflação dos Estados Unidos em dezembro.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em janeiro alta de 0,31%, depois de ter subido 0,40% em dezembro. A leitura do indicador, considerado uma prévia da inflação oficial medida pelo IPCA, ficou bem abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters com economistas, de alta de 0,47%.
O resultado levou o IPCA-15 a acumular nos 12 meses até janeiro avanço de 4,47%, contra 4,63% das projeções dos analistas.
O indicador foi divulgado às 8h -- e não às 9h, como de costume -- por um erro técnico, conforme o IBGE.
O IPCA-15 mais fraco abriu espaço para a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em meio à avaliação de que a inflação segue desacelerando e pode permitir uma taxa básica Selic mais baixa no futuro. Hoje a Selic está em 11,75% ao ano.
O recuo dos juros futuros no Brasil se manteve durante a sessão a despeito de, no exterior, os yields dos Treasuries estarem em alta, apesar da divulgação de números de inflação favoráveis também nos EUA.
“É bastante explícita a influência do IPCA-15 (sobre a curva de juros brasileira). Olhando lá fora, há uma alta entre os (rendimentos dos) títulos curtos nos EUA, então o recuo dos juros futuros aqui é basicamente o IPCA-15”, avaliou durante a tarde o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi.
“Temos uma sessão ‘benevolente’ por parte do mercado, porque embora o IPCA-15 tenha vindo abaixo do esperado, a abertura dele não foi tão benigna assim”, acrescentou Borsoi.
De fato, apesar de o índice cheio ter vindo abaixo do esperado, alguns profissionais chamaram a atenção para o fato de algumas métricas do indicador terem piorado.
“Preços livres subindo acima de 5% anualizado, núcleos acima de 4% anualizados e difusão pulou de 55% para 67%, acima do observado no IPCA de dezembro (55%)”, citou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em comunicado enviado a clientes.
Apesar das ponderações sobre o IPCA-15, o resultado cheio favorável manteve as taxas futuras no negativo, enquanto no exterior os yields subiam. O movimento entre os títulos norte-americanos ocorria a despeito de dados de inflação nos EUA terem vindo dentro do esperado -- o que, em tese, poderia sugerir um fechamento da curva de juros norte-americana.
O índice de preços PCE, acompanhado de perto pelo Federal Reserve, subiu 0,2% no mês passado e avançou 2,6% nos 12 meses até dezembro, repetindo o resultado de novembro. Economistas consultados pela Reuters previam altas de 0,2% no mês e de 2,6% na base anual.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice PCE subiu 0,2% no mês passado, depois de avançar 0,1% em novembro. O chamado núcleo do PCE desacelerou a alta para 2,9% na base anual, o menor ganho desde março de 2021, após avanço de 3,2% em novembro.
Neste cenário, perto do fechamento a curva a termo brasileira precificava 99% de chances de o corte da taxa básica Selic na semana que vem ser de 0,50 ponto percentual.
No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 9,96%, ante 10,021% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,62%, ante 9,677% do ajuste anterior.
Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 9,795%, ante 9,833%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,065%, ante 10,101%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,49%, ante 10,536%.
Às 16:41 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3,00 pontos-base, a 4,1624%.
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