BCE cita bom progresso na inflação, mas pede mais dados
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Por Francesco Canepa e Balazs Koranyi
FRANKFURT (Reuters) - O banco central Europeu (BCE) manteve os custos dos empréstimos em níveis recordes nesta quinta-feira e deixou claro que, embora a inflação esteja diminuindo mais rapidamente do que o previsto há apenas alguns meses, ainda não está pronto para começar a afrouxar a política monetária.
Tendo subestimado um súbito aumento dos preços há dois anos, o banco central dos 20 países que partilham o euro tem se mostrado relutante em declarar vitória sobre o que acabou por ser a inflação mais brutal em décadas.
Mesmo mantendo sua principal taxa de juros inalterada em 4,0%, como esperado, o BCE alterou ligeiramente a sua comunicação para refletir uma queda contínua da inflação ao longo do último um ano e meio, ao mesmo tempo que divulgou novas projeções econômicas mais baixas.
"Estamos fazendo bom progresso em direção à nossa meta de inflação e estamos mais confiantes como resultado --mas não estamos suficientemente confiantes", disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, numa coletiva de imprensa. "Desde a última reunião do Conselho do BCE, em janeiro, a inflação voltou a diminuir", disse o BCE em seu comunicado. "Embora a maior parte das medidas da inflação subjacente tenha diminuído ainda mais, as pressões internas sobre os preços permanecem elevadas, em parte devido ao forte crescimento dos salários."
Depois de ter conseguido dissuadir os investidores de apostar num corte de juros cedo demais, o BCE evitou cuidadosamente fazer qualquer promessa nesta quinta-feira.
A instituição reafirmou, em vez disso, que as decisões futuras dependeriam, em parte, da trajetória do núcleo da inflação, que exclui preços mais voláteis e tem se mostrado particularmente teimoso.
Fontes têm dito à Reuters há meses que é improvável que o BCE reduza os custos dos empréstimos antes da sua reunião de 6 de junho, uma vez que dados cruciais sobre salários só estarão disponíveis em maio.
Isto dá ao BCE outra reunião --em 11 de abril-- para abrir explicitamente a porta ao que o economista-chefe do BCE, Philip Lane, disse ser provavelmente o primeiro de uma série de cortes nas taxas.
Os investidores previam três ou quatro cortes de juros na taxa de depósito do BCE este ano, para 3,25% ou 3,0% até o fim de dezembro.
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