Governo argentino diz que inflação está caindo, mas consumidores não têm tanta certeza
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Por Horacio Soria e Miguel Lo Bianco
BUENOS AIRES (Reuters) - O governo da Argentina está convicto de que suas medidas para desacelerar uma das taxas de inflação mais altas do mundo estão funcionando. Os consumidores, entretanto, ainda não estão totalmente convencidos.
O país sul-americano está lutando contra uma inflação anual acima de 275%, e espera-se que o indicador chegue perto de 12% somente no mês de março, quando os dados oficiais forem divulgados nesta sexta-feira.
No entanto, esse número está abaixo do pico de 25% registrado em dezembro, quando o novo presidente Javier Milei assumiu o cargo e desvalorizou drasticamente o peso. Desde então, ele tem promovido duras medidas de austeridade e corte de custos que ajudaram a começar a reverter um profundo déficit fiscal, conquistar investidores e moderar os preços.
"A inflação está desacelerando fortemente", escreveu o ministro da Economia, Luis Caputo, no X na quarta-feira. Ele compartilhou a publicação de uma conta chamada @BotCoto na plataforma, que se descreve como um bot -- uma conta automatizada -- e afirma rastrear os preços dos supermercados em uma cadeia de varejo local.
Os políticos da oposição criticaram Caputo por citar o bot e outra conta semelhante. A Reuters não conseguiu determinar imediatamente quem estava por trás disso.
Enquanto isso, a pobreza está aumentando e a atividade econômica está estagnada, agravando as dificuldades sentidas por milhões de pessoas. Os preços, de mantimentos a serviços de saúde, ainda estão subindo muito, mesmo em dólar.
"Não há queda na inflação, são apenas palavras", disse Maria Gen enquanto comprava frutas e verduras em um mercado em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires.
"Aproveitei para vir ao mercado pensando que os preços seriam mais baratos e eles são os mesmos do meu bairro."
Analistas e economistas dizem que o núcleo da inflação tem mostrado sinais de abrandamento. Mas uma taxa mensal de 10% ainda seria muito mais alta do que a maioria dos países registra em um ano inteiro.
O porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, disse aos repórteres na quinta-feira que o governo acabará com a inflação, embora seja difícil dizer com que velocidade.
"O fim da inflação será uma realidade", disse ele. "Quando? É claro que não sabemos, porque não temos uma bola de cristal."
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