Café made in Brasil: bebida se tornou mais acessível e consumo cresce na China
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Embora o chá continue sendo a principal bebida consumida na China, nos últimos anos o café está se tornando mais popular no país e essa demanda pela bebida deve continuar crescendo.
O "Relatório Mundial de Produção, Mercados e Comércio do Café" divulgado nesta quarta-feira (18) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostrou que o consumo de café na China aumentou quase 150% nos últimos 10 anos, e deve chegar a 6,3 milhões de sacas em 2024/25.
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De acordo com o diretor executivo da BSCA, Vinícius Estrela, o forte interesse e o hábito do consumo da bebida pelos asiáticos são recentes. "Isso veio a partir da globalização e, muito fortemente, guiado pelos jovens. Esse público consome o café puro, o café especial, bebidas e drinks a base de café, isso ao longo do dia e também a noite", explicou o diretor.
À medida em que a demanda foi crescendo, as redes de varejo domésticas foram se expandindo. Algumas empresas passaram então a oferecer compras on-line, o que aumentou os volumes e reduziu os custos aos varejistas locais, com isso, o estimulo ao consumo aumentou já que o café se tornou mais acessível.
Segundo o relatório do USDA, a China cultiva quase exclusivamente café arábica, mas em resposta à demanda por café de maior qualidade os produtores começaram a plantar outras variedades como Bourbon e Typica, que oferecem melhor sabor e competem mais favoravelmente com as importações. Na última década, as importações totais de café da China quase triplicaram para 5,5 milhões de sacas, e devem chegar a 5,6 milhões em 2024/25.
Inicialmente, o Vietnã e a Indonésia foram os principais fornecedores, mas já foram ultrapassados pelo Brasil e pela Colômbia.
Dados do Cecafé mostram que em 2023 as vendas nacionais de café dispararam 275% ao país asiático, em relação a 2022. Essa alta fez com que a China, que até então ocupava a 20ª posição no ranking dos principais importadores de café do Brasil, mudasse para a 6ª posição. Nos nove primeiros meses do ano, as exportações de café para o país asiático cresceram 38,3% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Hoje, a China se destaca como principal destino das exportações do agronegócio paulista, com uma participação de 20% no total exportado pelo setor no estado, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
Para o diretor do BSCA, o processo para que os chineses aceitassem o café brasileiro levou tempo, "foi um processo difícil por alguns aspectos. Primeiro deles pelo desconhecimento natural do produto, principalmente pela distância dos países. Segundo porque, alguns anos atrás, muitos países tinham a visão de que o Brasil não produzia um café de qualidade. Faltava um pocisionamento do Brasil quando se falava em qualidade. Mas, diante de um processo de internalização do nosso produto isso mudou, e hoje a produção brasileira de café é vista como tendo uma origem confiável, consistente, produtiva, diversa, de excelente qualidade e a mais sustentável do mundo", explicou Vinícius.
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