Dólar chega a superar R$5,80, mas perde força e fecha estável
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Depois de chegar a superar os R$5,80 no início do dia, o dólar perdeu força no Brasil e fechou praticamente estável, refletindo a queda firme da moeda norte-americana no exterior e a baixa dos rendimentos dos Treasuries, em meio às preocupações em torno da economia dos EUA.
O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,04%, aos R$5,7525. Em 2025, porém, a moeda norte-americana acumula queda de 6,90%.
Às 17h08 na B3 o dólar para março -- atualmente o mais líquido -- cedia 0,28%, aos R$5,7570.
O dólar abriu o dia em alta firme ante o real, apesar de no exterior estar em queda ante boa parte das demais divisas. Às 9h58 -- ainda na primeira hora de negócios -- a moeda norte-americana à vista marcou a máxima de R$5,8143 (+1,04%).
“O dólar aqui primeiro tem que ser olhado numa... janela um pouco maior. Ele está subindo depois de ter caído muito”, disse no meio da manhã Gustavo Jesus, sócio da RGW Investimentos, em comentário a clientes.
“Vamos lembrar que ele bateu ali perto de R$6,20 e chegou a R$5,70, e agora está subindo um pouco”, acrescentou, ao avaliar o movimento do câmbio de dezembro para as últimas semanas.
Com as cotações mais elevadas, acima dos R$5,80, alguns agentes aproveitaram para vender moeda, o que tirou força do dólar ante o real. Além disso, o sinal vindo do exterior era negativo, com os mercados globais reagindo a dados fracos de confiança do consumidor dos EUA e à queda firme dos rendimentos dos Treasuries, em meio aos receios em torno da política tarifária do governo de Donald Trump.
No mercado de Treasuries foi um dia típico de aversão ao risco, com busca pelos títulos norte-americanos e consequente queda das taxas, o que também influenciou na relação dólar/real.
Isso ficou mais claro durante a tarde, quando o dólar à vista marcou a mínima de R$5,7456 (-0,16%) às 15h43.
A perda de força do dólar esteve em sintonia com o avanço firme do Ibovespa na B3, embora no mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros) o cenário fosse mais complexo, com baixa de taxas na ponta curta da curva a termo e alta na longa.
Investidores seguiam atentos ao futuro da taxa básica Selic, hoje em 13,25% ao ano, para calibrar posições nos diferentes mercados brasileiros.
Pela manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 -- considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial -- subiu 1,23% em fevereiro, maior taxa desde abril de 2022 (+1,73%), mas abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 1,33%.
No mercado, a expectativa de elevação de 100 pontos-base da Selic em março segue quase unânime, mas há dúvidas sobre o que o Banco Central fará em maio, na reunião seguinte para definição de juros.
“O aumento do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, projetado para aumentar ainda mais até o meio do ano, tem contribuído para a valorização do real frente ao dólar nas últimas emanas”, lembrou André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, em comentário enviado a clientes.
Às 17h32, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,46%, a 106,260.
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