Setor de máquinas e equipamentos tem alta de 19,5% no faturamento em janeiro, diz Abimaq
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SÃO PAULO (Reuters) - O faturamento do setor de máquinas e equipamentos cresceu quase 20% em janeiro ante o mesmo mês do ano passado, favorecido por uma base de comparação baixa no ano anterior, informou a Abimaq, associação da indústria, em apresentação nesta quarta-feira.
A associação espera que a indústria tenha um crescimento modesto de 3,7% no faturamento em 2025, após quedas nos três anos anteriores.
"Inicialmente, a gente estava baseando esse crescimento em cima do setor de máquina agrícola...e máquinas para construção civil", disse a diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, a jornalistas.
"Mas a gente também tem a continuidade de algumas obras importantes na área de infraestrutura, saneamento básico, óleo e gás. São setores que estão investindo bastante."
Ela também vê investimento em algumas áreas do setor de bens de consumo, com a renda das famílias em expansão e aumento real do salário mínimo.
A receita do setor de máquinas agrícolas deve subir 8,2% e a da construção, avançar cerca de 5% em 2025, segundo a diretora.
TARIFAS
Zanella disse que, apesar da pequena recuperação esperada, o patamar elevado dos juros domésticos e o cenário externo mais "conturbado", com promessas de tarifas pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, são pontos de atenção.
"Mas a nossa expectativa é que continue crescendo no longo prazo os investimentos. Mesmo porque a gente está em um patamar de investimento muito baixo e por um longo período de tempo."
Os Estados Unidos são atualmente um dos principais destinos das máquinas e equipamentos do Brasil, de acordo com a Abimaq.
Segundo a diretora executiva de Mercado Externo da Abimaq, Patrícia Gomes, a medida mais recente dos EUA para taxação de bens do setor siderúrgico em 25% é uma preocupação da indústria.
"Isso pode virar um custo para o nosso setor (de máquinas)", caso não seja aplicada uma cota para a exportação brasileira, como ocorrido em 2018, no primeiro governo de Trump, disse.
A diretora também comentou sobre o anúncio da Casa Branca da implementação de tarifas comerciais recíprocas. Segundo ela, embora o documento não especifique quanto e nem que áreas serão especificamente taxadas, o ambiente é de "negociação".
"O cenário que a gente tem agora é de... abrir negociação com o governo americano, entender mais ou menos quais são os pontos mais críticos para que a gente possa atenuar ou fazer com que a medida não se concretize."
NÚMEROS DE JANEIRO
Segundo os dados da Abimaq, a receita líquida do setor somou R$20,5 bilhões em janeiro, crescimento de 19,5% ante o mesmo mês do ano passado. Nas vendas internas, o faturamento líquido de janeiro cresceu 32,3% ano a ano, para R$15,6 bilhões.
O desempenho geral positivo veio após três anos consecutivos de quedas e está relacionado à base de comparação baixa, disse a entidade, já que, em janeiro de 2024, o setor observou recuo de 21,3% na comparação ano a ano.
"Em janeiro do ano passado, o setor atingiu o pior nível de receita da história do setor ao recuar 28% ante o ano de 2023", destacou a Abimaq na apresentação.
O resultado neste início de ano, disse a entidade, é reflexo da recuperação observada a partir de meados de 2024 e que "deve se manter ao longo deste primeiro semestre".
A indústria de máquinas e equipamentos observou uma queda de 22,3% nas exportações de janeiro ante o mesmo período do ano passado, para US$818,3 milhões, mas viu um aumento de 19,3% nas importações na mesma comparação, para US$2,7 bilhões.
(Reportagem de Patricia Vilas Boas)
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