Geadas atingiram cafezais no Cerrado Mineiro, diz federação de produtores
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Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) - Cafezais da região de Patrocínio, maior município produtor de café do mundo, foram atingidos por geadas na madrugada de segunda-feira que possivelmente afetaram os botões florais para a próxima safra, afirmou Gláucio de Castro, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, à Reuters.
Ele citou ainda que as geadas atingiram também os municípios de Araxá e Indianópolis, também no Cerrado Mineiro, importante região produtora de café arábica do Brasil. Mas observou que a intensidade do problema só poderá ser verificada após o período de floradas.
Em uma avaliação preliminar, as geadas foram "de capote", atingindo a copa das árvores, e também menos abrangentes e severas do que as registradas em 2021, quando a safra seguinte do Brasil foi severamente impactada.
"As geadas dessa vez foram mais de capote, pegou mais o lado superior da planta. Mas de qualquer forma afeta", disse Castro.
Na véspera, o café arábica negociado na bolsa ICE encerrou em alta de quase 4%, impulsionado por fatores como relatos de geadas no Brasil, maior produtor e exportador global. Mas nesta terça-feira o mercado operava em queda, devolvendo parte dos ganhos.
Segundo Castro, as geadas possivelmente afetaram os botões florais para a próxima safra em fase adiantada, já que eles poderiam abrir flor a partir de setembro e outubro, com a chegada das chuvas. Mas o impacto ainda é incerto.
"Essa queima dos botões florais (pelas geadas) é meio silenciosa, só vamos ver para frente, se vai abrir flor", afirmou o presidente da federação.
As cooperativas da região do Cerrado Mineiro estão realizando um levantamento de possíveis perdas.
"Eles (produtores) dizem que pegou um terço, mais ou menos, do que foi afetado em 2021. Mas é difícil precisar isso agora, está muito recente para precisar isso com segurança", acrescentou.
Quando a geada é mais intensa, pegando por exemplo os dois lados da planta, é preciso fazer a poda de esqueletamento, e se perde a produção da safra seguinte, notou o cafeicultor.
"Quando é geada de capote, depende da intensidade... se pegou os dois lados, aí tem que esqueletar, aí perde a produção do próximo ano".
Cooperativas que atuam no Sul de Minas, como a Cooxupé, com sede em Guaxupé, e a Minasul, em Varginha, afirmaram à Reuters na véspera que as geadas atingiram áreas de baixadas, sem ocorrências em lavouras de café.
De acordo com dados divulgados anteriormente pela consultoria StoneX, o Sul de Minas, a maior área cafeeira do Brasil, deveria produzir pouco mais de 15 milhões de sacas de 60 kg em 2025, enquanto o Cerrado Mineiro, 6,2 milhões de sacas.
(Por Roberto Samora, com reportagem adicional de Marcelo Teixeira)
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