Exportação de cafés especiais e solúvel do Brasil aos EUA despenca em agosto, dizem associações
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SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de cafés especiais e solúvel do Brasil para os Estados Unidos parecem ter sofrido até mais do que os embarques gerais, que incluem os grãos verdes, mostraram dados de associações desses setores divulgados nesta segunda-feira.
Após a entrada em vigência do tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump em agosto, os embarques de café solúvel brasileiro aos EUA despencaram 59,9% na comparação com o mesmo mês de 2024 e 50,1% em relação a julho deste ano, somando o equivalente a 26.460 sacas de 60 kg, informou a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
No caso dos cafés especiais, grãos com qualidade diferenciada e mais caros, as remessas aos EUA somaram 21.679 sacas, redução de 79,5% na comparação com o mesmo mês de 2024 e de 69,6% ante julho deste ano, já que importadores vêm suspendendo ou cancelando contratos.
A queda percentual nos embarques de cafés solúvel e diferenciados para os EUA supera o recuo registrado nas exportações de todos os produtos do setor, incluindo grãos verdes, que foi de 46% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, para cerca de 301 mil sacas, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
A redução de embarques de café do Brasil, maior produtor e exportador, para os EUA, maiores consumidores, tem sido motivo de uma alta nas cotações da bolsa ICE, em Nova York, já que os torrefadores norte-americanos lidam agora com uma oferta mais escassa.
"Muitos contratos que haviam sido assinados vêm sendo suspensos, cancelados ou adiados, a pedido dos importadores americanos, uma vez que a taxação de 50% sobre os cafés especiais brasileiros torna praticamente inviável a realização desses negócios, devido aos preços extremamente elevados...", disse a presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Carmem Lucia Chaves de Brito, em nota.
No mês passado, os norte-americanos caíram ao sexto lugar no ranking de destinos do café especial brasileiro. Até agosto, ainda figuram na primeira posição.
"O impacto é brutal! Se o tarifaço permanecer, a tendência é que os Estados Unidos diminuam, cada vez mais, as importações dos cafés especiais brasileiros...", acrescentou ela.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, a queda nos embarques para os EUA frustra a expectativa do setor de exportações recordes em 2025, que poderiam superar as 4,093 milhões de sacas do ano passado.
"Essa taxação de 50% inviabiliza o comércio com os americanos. Precisamos abrir canais para que alcancemos uma solução que devolva um fluxo de negócios justo na relação cafeeira entre Brasil e Estados Unidos", disse.
Lima lembrou que os cafés solúveis brasileiros ainda sofrem com tarifas aplicadas por várias nações.
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, de acordo com os dados da plataforma Abics Data, as exportações brasileiras de café solúvel totalizaram, para 88 países, o equivalente a 2,508 milhões de sacas, volume 3,9% inferior ao registrado nos oito primeiros meses de 2024.
(Por Roberto Samora)
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