Argentina zera retenciones para soja, derivados e grãos até 31 de outubro; anúncio aconteceu nesta manhã de 2ª feira (22)
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O governo da Argentina anunciou, na manhã desta segunda-feira (22), que zerou as retenciones para os grãos e derivados até o dia 31 de outubro. A medida não estava prevista e inclui todos os produtos agrícolas argentinos para exportação e foi informada pelo porta-voz da presidência, Manuel Adorni.
"A velha política busca gerar incerteza para boicotar o programa do governo. Com isso, pune o povo argentino: não permitiremos isso", disse Adorni.
A notícia pesa sobre os futuros da soja negociadas na Bolsa de Chicago, não só para o grão, mas também para farelo e óleo. Os três produtos, por volta de 8h40 (horário de Brasília), perdiam já quase 1% entre as posições mais negociadas.
O objetivo central do governo de Javier Milei é dar suporte ao dólar, aumentando a oferta da moeda americana no país, ao passo em que a medida deverá estimular forte a comercialização da soja e dos derivados neste pouco mais de um mês de imposto zerado.
Segundo os especialistas, uma medida como esta de zerar a tarifa de exportações não estava no radar, mesmo com as baixas recentes e temporárias dos últimos meses.
"Foi uma bomba, uma surpresa para todos, ninguém esperava por essa medida. A Argentina, por alguns problemas econômicos e pelo resultado eleitoral de Milei na província de Buenos Aires, vinha registrando uma tensão cambial onde o peso vinha se desvalorizando contra o dólar", relata, direto da Argentina ao Notícias Agrícolas, o diretor da Globaltecnos, Sebastian Gavalda.
No entanto, o analista argentino destaca que a medida ainda não foi publicada no Diário Oficial e "por isso, precisamos esperamos para ver as letras miúdas".
Gavalda explica que a Argentina tem estoques de, aproximadamente, 20 milhões de toneladas de soja e 12 milhões de toneladas de milho ainda a serem comercializadas, o que os torna consideravelmente competitivos no mercado internacional de ambos, sobretudo de soja. No trigo, o volume é de cerca de nove milhões de toneladas.
"Obviamente, quando se tem uma medida como esta o que temos que observar é uma maior oferta podendo gerar uma baixa nos preços. Então, veremos se o mercado toma esta medida como uma medida baixista. Agora, o que estamos esperando é a publicação no Diário Oficial para entender os detalhes e os impactos", diz.
A seguir, mais informações.
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