Aumento do risco de ficar abaixo da meta sustenta leve corte nos juros, diz economista-chefe do BCE
FRANKFURT (Reuters) - Mudanças no perfil de risco da inflação da zona do euro terão impacto sobre as decisões de política monetária do Banco Central Europeu e um aumento na chance de não atingir a meta firmaria as justificativas para uma "leve" redução nos custos de empréstimos, disse o economista-chefe do BCE, Philip Lane, nesta segunda-feira.
O BCE reduziu as taxas de juros em 2 pontos percentuais no ano até junho, mas tem optado pela manutenção desde então, e as autoridades estão agora debatendo se devem reduzir ainda mais ou se devem manter a taxa atual de 2%, uma vez que a inflação está agora dentro da meta.
"As mudanças na distribuição de riscos também serão importantes para nossas decisões sobre os juros: um aumento na probabilidade ou na intensidade dos fatores de risco de baixa fortaleceria o argumento de que uma taxa de juros ligeiramente mais baixa poderia proteger melhor a meta de inflação de médio prazo", disse Lane em um discurso em Frankfurt.
"Por outro lado, um aumento na probabilidade ou intensidade dos fatores de risco de alta indicaria que a manutenção da taxa atual seria apropriada no curto prazo", acrescentou.
Os mercados financeiros não veem praticamente nenhuma chance de outro corte na taxa de juros este ano, e os comentários do vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, apenas reforçaram essas expectativas.
"Poderíamos dizer que os riscos para a inflação estão equilibrados e que nossas projeções, que mostraram que o objetivo da estabilidade de preços pode ser garantido de alguma forma, estão sendo cumpridas até certo ponto", disse de Guindos em um evento em Madri.
"Consideramos que o nível atual (das taxas de juros) é adequado com base nas tendências recentes da inflação", disse ele.
Mas algumas autoridades temem que a extensão total das tarifas dos EUA ainda não tenha sido sentida e que um euro forte prejudique os exportadores e, ao mesmo tempo, puxe a inflação geral para abaixo da meta de 2% do BCE.
(Reportagem de Balazs Koranyi)
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