Petrobras amplia vendas de petróleo para Índia com foco em refinadores estatais, diz diretor
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Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras está ampliando a participação como fornecedora de petróleo para a Índia, com foco voltado para refinarias estatais, em meio a uma produção crescente e esforços constantes para o desenvolvimento de mercados e maior valor para seus produtos, disse nesta sexta-feira o diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados da petroleira, Claudio Schlosser.
A empresa assinou na véspera o primeiro contrato a termo para suprimento de petróleo com a Hindustan Petroleum Corporation (HPCL), com volume de entrega de até 6 milhões de barris no período de 1 ano, segundo o executivo.
O contrato havia sido anunciado na quinta-feira pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que está em missão oficial em Nova Délhi.
"Trata-se de contrato com empresa que completa o conjunto dos três principais refinadores estatais indianos", disse Schlosser à Reuters, ao citar que a companhia já havia assinado anteriormente contratos com as estatais indianas Bharat Petroleum Corporation (BPCL) e Indian Oil Corporation (IOC).
No caso do acordo com a BPCL, fechado recentemente, o acerto também envolveu volumes de entrega de até 6 milhões de barris no período de 1 ano, enquanto que com a IOC tratou-se de um negócio "bem-sucedido", com a entrega de mais de 20 milhões de barris nos últimos 2 anos, disse o diretor.
"A Índia é, indiscutivelmente, um dos principais propulsores da economia global no presente e, ainda mais, no futuro próximo. É um mercado extremamente relevante para os fluxos internacionais de petróleo, dado seu robusto crescimento econômico e populacional, associado a sua capacidade de refino de mais de 5 milhões bpd e disponibilidade de produção local de pouco mais do que 10% de suas necessidades", disse Schlosser.
"A atuação da Petrobras nesse país asiático vem de longa data, inicialmente concentrada nos refinadores privados -- dos quais a Reliance é o mais destacado representante --, porém ultimamente enfocando nos refinadores estatais, cujo elenco de óleos para consumo melhor se adequa ao atual perfil de nossas exportações, baseado em óleos médios", acrescentou.
O diretor destacou que o incremento da participação da Petrobras no suprimento de petróleo para a Índia é fruto dos constantes esforços e desenvolvimento de mercados desempenhados pelos escritórios comerciais da Petrobras no exterior (em Cingapura, Roterdã e Houston), coordenados pelo escritório central no Rio de Janeiro.
A produção de petróleo da Petrobras no Brasil cresceu 7,6% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, a 2,32 milhões de barris por dia (bpd), com o avanço operacional de novas plataformas, apesar de paradas programadas e declínio em campos maduros.
Em julho, a produção média de petróleo somou 2,47 milhões de bpd, segundo os dados mais recentes informados pela companhia.
A atuação global da empresa, segundo Schlosser, é importante para que a Petrobras tenha um posicionamento comercial "consistente", permitindo realinhamento de fluxos e reposicionamento de destinos quando necessários. Ele ressaltou que, além do petróleo, a Petrobras comercializa internacionalmente mais de 10 diferentes derivados de petróleo.
O diretor disse ainda que, nos últimos anos, a Petrobras elevou exportações de diferentes qualidades de petróleo para Coreia do Sul, Cingapura, Tailândia e, mais significativamente, para o mercado europeu, e de derivados para África, Américas e Ásia.
(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Reportagem adicional de Marta Nogueira)
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