Expansão da energia renovável no Brasil pode acrescentar até R$465 bi ao PIB em 10 anos, diz estudo Itaú/FGV
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Bom para o clima, mas também para a economia. A expansão de fontes renováveis de energia no Brasil tem potencial para gerar um impacto positivo de R$337 bilhões a R$465 bilhões no Produto Interno Bruto do país até 2035, conforme estudo elaborado pelo Itaú Unibanco em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), cujos resultados foram obtidos com exclusividade pela Reuters.
De acordo com o estudo, a descarbonização pode mobilizar R$295 bilhões em investimentos no Brasil e criar até 1,9 milhão de empregos no período de dez anos.
“Cada R$1 investido em energia renovável pode gerar até R$1,57 de retorno na economia, com destaque para a geração de empregos qualificados e o fortalecimento de fornecedores nacionais”, pontuou o Itaú em nota.
De acordo com o estudo, há ganhos palpáveis com a mitigação da emissão de gases de efeito estufa e a adaptação de empresas e indivíduos à nova realidade climática. O Itaú cita como exemplo a expansão de usinas eólicas e solares em regiões como o Nordeste, gerando eletricidade limpa com custos competitivos.
Outro exemplo é a adoção de sistemas integrados na agropecuária, combinando culturas agrícolas, criação de animais e espécies arbóreas, que eleva a produtividade ao mesmo tempo em que retira carbono da atmosfera.
A transição para uma economia de baixo carbono é um dos temas centrais da COP30, a conferência que reúne em Belém até o dia 21 de novembro representantes de governos de vários países para discutir as mudanças climáticas.
De acordo com o estudo, o Brasil tem potencial para liderar a transição para uma economia de baixo carbono -- entendida como um sistema produtivo de baixas emissões de gases do efeito estufa, em especial o dióxido de carbono (CO2).
Entre os setores com forte potencial competitivo estão o de energia, transporte, siderurgia, construção civil e agropecuária.
“Observamos um interesse crescente dos diferentes setores da economia em avançar na transição energética, impulsionado tanto por exigências regulatórias quanto por demandas de mercado e investidores”, afirmou à Reuters Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco.
“Dentro desse cenário, o agronegócio se destaca por reunir oportunidades significativas para avançar na agenda de descarbonização, sendo o único capaz de atingir emissões líquidas zero dentro de seu próprio sistema produtivo. Ainda há desafios, mas vemos um entendimento crescente no agronegócio de que a transição é necessária”, acrescentou.
Segundo o Itaú, nos últimos anos a procura por soluções financeiras que apoiem a transição para modelos mais sustentáveis tem crescido. O portfólio de produtos e serviços do banco para empresas que adotam o critério ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) já mobilizou R$5 bilhões, conforme Nicola.
Investimentos em áreas como energia solar, eólica, biomassa e biocombustíveis geram não apenas retorno para a economia como um todo, mas também empregos, mostra o estudo. Cada US$1 milhão investidos na área de energia solar gera de 12 a 25 empregos; na energia eólica, de 7 a 29 empregos; na biomassa, 82 empregos; em biocombustíveis, 7 empregos.
“O estudo demonstra que a agenda climática de mitigação e adaptação deve ser encarada como um caminho estratégico para impulsionar a prosperidade do Brasil, gerando benefícios concretos para a sociedade e para o desenvolvimento sustentável do país”, afirmou em nota Daniel da Mata, coordenador do estudo e professor da FGV.
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