Dólar tem baixa leve com "risco Flávio Bolsonaro" segurando ajustes
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 8 Dez (Reuters) - Após a disparada da sessão anterior, o dólar chegou a oscilar abaixo dos R$5,40 nesta segunda-feira, mas o "risco Flávio Bolsonaro" reduziu o espaço para ajustes e fez a moeda norte-americana fechar com uma baixa leve.
O dólar à vista encerrou a sessão com leve queda de 0,23%, aos R$5,4220. No ano, a divisa acumula perdas de 12,25%.
Às 17h03, o contrato de dólar futuro para janeiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,31% na B3, aos R$5,4505.
Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 2,34%, aos R$5,4346, após a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho Flávio para ser candidato à Presidência.
O avanço foi consequência da avaliação de que, se Flávio for de fato candidato, o favorito do mercado -- o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) -- estará fora da disputa. Além disso, um cenário sem a candidatura de Tarcísio é visto como favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No domingo, porém, Flávio Bolsonaro disse que há uma possibilidade de não ir até o fim na disputa eleitoral, mas que sua desistência teria um preço. Especula-se que o preço poderia estar relacionado ao interesse da família de buscar a aprovação da anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima intradia de R$5,3869 (-0,88%) às 10h53, com investidores ajustando posições ante a perspectiva de uma desistência de Flávio Bolsonaro. No entanto, como nenhuma novidade neste sentido surgiu, os investidores seguiram demonstrando cautela com o cenário político.
Às 12h33, o dólar à vista marcou a cotação máxima de R$5,4690 (+0,63%), para depois voltar ao território negativo até o fechamento -- mas longe de compensar a forte alta de sexta-feira.
“A candidatura do Flávio Bolsonaro adicionou muito ruído”, disse à tarde Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, em comentário escrito.
“O mercado sentiu, e sentiu muito não porque esse movimento muda fundamentos econômicos, mas porque virou o pretexto perfeito para uma correção que já era esperada depois da sequência intensa de queda do dólar e alta da bolsa. Quando Flávio dá sinais de que pode desistir, o humor melhora”, acrescentou.
No exterior, o dia foi de alta para o dólar ante a maior parte das demais divisas, com os investidores se posicionando antes da decisão sobre juros do Federal Reserve, na quarta-feira. Às 17h12, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,07%, a 99,087.
À tarde o mercado precificava 87,4% de probabilidade de corte de 25 pontos-base de juros pelo Federal Reserve na quarta-feira, contra 12,6% de chance de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00%, conforme a Ferramenta CME FedWatch.
No Brasil, a expectativa quase unânime é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa básica Selic em 15% ao ano na quarta-feira.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA tem sido apontado como um dos principais fatores para o dólar ter se mantido em níveis mais baixos nas últimas semanas, entre R$5,30 e R$5,40.
Na última sexta-feira, porém, a notícia sobre a indicação de Flávio Bolsonaro impulsionou as cotações para além desta faixa.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de janeiro.
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