Açúcar avança em NY de olho na entressafra e no clima brasileiro
![]()
Nesta quarta-feira (07), o mercado do açúcar opera em alta nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque, o contrato março/26 é negociado a 14,94 cents de dólar por libra-peso, valorização de 1,22%. O vencimento maio é negociado a 14,54 cents (+1,18%) e o julho a 14,55 cents (+1,04%). Em Londres, a commodity acompanha o movimento positivo, com o março/26 cotado a US$ 427,10 por tonelada (+0,83%). Os operadores monitoram os fundamentos do Brasil, que atravessa o período de entressafra. Além da menor oferta sazonal, o mercado repercute o recuo nas exportações, motivado pelos baixos preços internacionais e pela valorização do real frente ao dólar, cenário que tira a competitividade da commodity brasileira e desestimula a participação das usinas nas vendas externas.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) confirmam o desaquecimento. As exportações brasileiras de açúcar e melaços registraram queda de 19,4% na média diária de faturamento em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024. Enquanto em dezembro de 2024 a média diária foi de US$ 64,499 milhões, neste último mês o valor recuou para US$ 49,607 milhões. No acumulado total do mês, o Brasil faturou US$ 1,091 bilhão com os embarques do produto, ante US$ 1,354 bilhão registrados em dezembro do ano anterior.
Apesar da alta de hoje, a perspectiva de ofertas robustas nos principais países produtores limita ganhos mais expressivos. Para a safra brasileira 2026/27, a consultoria Safras & Mercado prevê um aumento apenas marginal na produção, estimada em 600 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. A recuperação produtiva, após um ciclo 2025/26 impactado por clima adverso e queimadas da safra anterior, só não deve ser mais expressiva devido à previsão climática para o atual período. Segundo a análise, o volume de chuvas deve ficar aquém do ideal.
“Evidentemente que vai chover em janeiro e ao longo da entressafra, pois estamos na temporada chuvosa. A questão é que as chuvas serão abaixo da média e isso limita o avanço do crescimento da safra”, afirmou Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado.
Muruci destacou ainda que esse cenário climático mais restritivo ainda não está totalmente precificado em Nova Iorque, apesar de os modelos indicarem precipitações abaixo da média ao longo de todo o primeiro trimestre de 2026. A combinação entre um crescimento contido da safra e uma maior preferência das usinas pela produção de etanol pode resultar em uma queda de cerca de 5% na produção de açúcar no Centro-Sul.
0 comentário
Preços do açúcar fecham em alta após consultoria projetar queda de produção no Brasil
Mercado do açúcar recua em sessão de ajustes, mas mantém radar nos fundamentos
Açúcar sobe em NY e mercado tenta entender impactos da redução prevista para 26/27
Mercado do açúcar busca equilíbrio de olho na virada do mix brasileiro
Açúcar fecha em alta nas bolsas de NY e Londres com valorização do real
Preços do açúcar têm alta acima de 1% nas bolsas de Nova Iorque e Londres