Uva/Cepea Acordo Mercosul-União Europeia começa a entrar no radar de agentes brasileiros
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, negociado ao longo de mais de duas décadas e aprovado neste início de 2026, avançou agora para sua fase decisiva. Após aprovação interna no bloco europeu, o acordo assinado no último sábado, 17 de janeiro, representa um marco histórico nas relações comerciais entre os países dos dois blocos, dando início ao processo de ratificação e regulamentação nos países envolvidos. O objetivo central do acordo é ampliar o acesso a mercados, reduzir barreiras tarifárias e dar maior previsibilidade ao comércio bilateral, com impactos relevantes para o setor agropecuário.
No caso das uvas frescas de mesa, o acordo traz um dos tratamentos mais favoráveis dentro do capítulo agrícola. Segundo as condições já divulgadas pelo governo brasileiro e por entidades do setor, as uvas do Mercosul terão acesso ao mercado europeu sem cotas e com eliminação total da tarifa de importação, hoje em torno de 11%. Diferentemente de outros produtos agrícolas, não haverá período de transição: a alíquota será zerada imediatamente após a entrada em vigor do acordo, desde que cumpridas as etapas formais de ratificação e regulamentação.
Esse ponto é visto como potencialmente positivo para o comércio de uvas de mesa, uma vez que reduz custos de acesso ao mercado europeu, aumenta a competitividade frente a outros fornecedores e traz maior previsibilidade para exportadores. Além disso, o fato de não haver limitação por cotas evita restrições de volume, o que tende a facilitar o planejamento comercial no médio e longo prazo. O tratamento dado às frutas frescas reflete a menor sensibilidade desses produtos para a União Europeia, quando comparados a outras cadeias agrícolas consideradas estratégicas ou mais protegidas.
Já no caso da uva destinada à indústria e de produtos processados à base de uva, como vinhos e outras bebidas, o acordo apresenta um cenário distinto. Embora não haja liberalização ampla e imediata como ocorre com a uva fresca, o tratado prevê reduções tarifárias graduais e maior acesso para vinhos europeus ao mercado do Mercosul, incluindo o Brasil. Esse ponto tem sido acompanhado com atenção pelo setor, uma vez que a ampliação da entrada de vinhos da União Europeia pode intensificar a concorrência no mercado interno, sobretudo para as vinícolas da região Sul do Brasil, principal região produtora. A expectativa é de que vinhos importados cheguem com maior competitividade de preços e variedade, o que pode pressionar margens e exigir ajustes estratégicos por parte das vinícolas brasileiras.
De modo geral, o acordo já começou a entrar no radar dos agentes do mercado de uvas, tanto para a uva de mesa quanto para a indústria, mas ainda é cedo para a definição de estratégias comerciais mais estruturadas. O avanço das discussões dependerá da clareza sobre prazos, regulamentações, regras de origem e exigências sanitárias, além das condições logísticas e comerciais efetivas.
A partir desse marco histórico, a expectativa é de que as discussões no setor de uvas se intensifiquem ao longo dos próximos meses, à medida que produtores, exportadores e indústrias passem a avaliar com mais profundidade os impactos e oportunidades gerados pelo tratado.
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