Exportadores de café encerram 2025 com prejuízo logístico de R$ 66,1 mi devido a esgotamento da infraestrutura portuária

Publicado em 27/01/2026 12:17
Na média, 55% dos navios tiveram atrasos e 1.824 contêineres estufados com café – 602 mil sacas – deixaram de ser exportados por mês, o que fez com que o país deixasse de receber US$ 2,640 bilhões – R$ 14,670 bilhões – como receita cambial em 2025

De acordo com levantamento realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto a seus associados, as empresas exportadoras registraram um prejuízo de R$ 4,631 milhões com o não embarque de 1.475 contêineres – equivalentes a 486.303 sacas de 60 kg – estufados com café em dezembro de 2025 devido à infraestrutura defasada nos principais portos do país.

“Filas de caminhões, pátios lotados, falta de berços, rolagens de cargas, atrasos e alterações de escalas de navios geraram esses prejuízos milionários com armazenagens adicionais, pré-stacking e detentions”, explica o diretor técnico da entidade, Eduardo Heron.

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Com a inclusão dos números de dezembro, o levantamento aponta que os exportadores tiveram um gasto extra de R$ 66,1 milhões com o não embarque de café no acumulado dos 12 meses de 2025 em função desse cenário.

“Na média mensal, 55% dos navios tiveram atrasos ou alterações de escala e 1.824 contêineres estufados com café – 601.819 sacas – deixaram de ser exportados a cada mês, o que fez com que o Brasil deixasse de receber US$ 2,640 bilhões – R$ 14,670 bilhões – como receita cambial em 2025”, revela o diretor técnico do Cecafé.

Segundo ele, a movimentação e os embarques gerais recordes nos portos, anunciados pelas autoridades públicas, dificultam o entendimento sobre o atual cenário de esgotamento e prejuízos causados aos diversos setores, pois esses resultados do comércio exterior como um todo “mascaram” os desafios enfrentados pelos exportadores, principalmente os do segmento de cargas conteinerizadas.

“Não é apenas o café que enfrenta esses entraves na infraestrutura portuária para realizar seus embarques, mas todas as cargas que dependem de contêineres, conforme apuramos com as lideranças de outros setores, como açúcar e algodão, entre outros. É preciso que nossos governantes tenham ciência dessa realidade e dos prejuízos enfrentados ao cumprimento dos recordes para que executem políticas públicas adequadas para tentar sanar, com celeridade, os gargalos, estimulando diversificação de modais de transporte, ampliando a oferta de capacidade de pátio e berços nos terminais portuários, assim como o aprofundamento de calados para o recebimento de grandes embarcações, por exemplo. Somente assim o país deixará de perder bilhões de dólares em receita”, explica.

Heron recorda que, no final de 2024, a Associação Comercial de Santos (ACS) promoveu um encontro entre a Autoridade Portuária de Santos (APS) e associações representantes do setor de café (Cecafé), algodão (ANEA), açúcar (AEXA) e produtos originários de árvores (IBÁ), oportunidade em que essas entidades setoriais do agronegócio, que utilizam contêineres para o embarque de suas cargas, puderam relatar suas dificuldades e prejuízos ao serviço público.

“Naquela ocasião, foi possível perceber que os desafios logísticos com o esgotamento da infraestrutura portuária de Santos não afetavam apenas o café, mas também outros setores importantes para o porto santista”, lembra.

No exemplo do café – completa –, o não embarque do produto por causa da infraestrutura portuária defasada implica em menor renda, inclusive, para os produtores brasileiros.

“O Brasil é o país que mais repassa o valor Free on Board (FoB) da exportação a seus cafeicultores, a uma média superior a 90% nas últimas safras. Dessa forma, o não embarque de café devido aos gargalos logísticos não representam apenas menor receita cambial e prejuízos aos exportadores, mas, também, menos receita aos cafeicultores, que se dedicam arduamente, enfrentando os desafios que a atividade possui, como as adversidades climáticas e custos de produção elevados, para que possamos entregar a todos os continentes os melhores e mais diversos cafés sustentáveis aos nossos clientes”, comenta.

O diretor técnico do Cecafé menciona, ainda, que, de 2016 a 2025, as exportações do agronegócio brasileiro registraram um crescimento de 72%, saltando de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas, conforme dados do AgroStat do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentando uma taxa de crescimento médio anual de 6%.

“Se mantido esse cenário de evolução do agro e os investimentos em infraestrutura seguirem de forma morosa e burocrática, o comércio exterior brasileiro seguirá acumulando prejuízos e o país continuará perdendo competitividade e oportunidades”, conclui.

Heron projeta que a expectativa é ainda mais negativa com a possibilidade de judicialização do leilão do Tecon Santos 10 devido a uma recomendação infundada e sem evidências, com base em especulações hipotéticas — segundo consta no relatório da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) —, proferida pelo ministro revisor da Corte e acompanhada por alguns de seus pares, que restringiu a participação ampla de armadores e deverá atrasar muito mais a tão esperada oferta da capacidade de pátio e berço no porto santista.

“Nossa expectativa é que a parceria firmada entre Imetame Porto Aracruz e Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária do armador holandês Hapag-Lloyd, atraia cargas de café e outros segmentos para o Estado do Espírito Santos, visando desafogar o Porto de Santos e mitigar os prejuízos aos exportadores cafeeiros, que enfrentam dificuldades para consolidarem seus embarques. E, para tal, o Cecafé seguirá empenhando esforços para buscar diminuir os riscos e prejuízos ao comércio exportador de café do Brasil”, finaliza Heron.

RAIO-X DOS ATRASOS

Em dezembro de 2025, 52% dos navios, ou 187 de um total de 361 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé.

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O Porto de Santos, que respondeu por 78,7% dos embarques de café entre janeiro e dezembro de 2025, registrou um índice de 65% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 105 do total de 162 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês retrasado foi de 82 dias no embarcadouro santista.

É válido destacar que a queda de 20% nas exportações dos cafés do Brasil reduziu a pressão e a tensão no porto do litoral paulista, mas ainda há grandes desafios e contêineres parados aguardando para conseguirem embarques.

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 Também em dezembro, somente 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de gate aberto por navios no porto santista. Outros 58% possuíram entre três e quatro dias e 38% tiveram menos de dois dias.

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O complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador dos cafés do Brasil, com 17,7% de participação nos embarques em 2025, teve índice de atrasos de 41% no mês retrasado, com o maior intervalo sendo de 13 dias entre o primeiro e o último deadline. Esse percentual indica que 52 dos 127 navios destinados às remessas do produto sofreram alteração de escalas.

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Ainda no último mês de 2025, 38% dos procedimentos de exportação tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto por porta-contêineres nos portos fluminenses; 37% registraram entre três e quatro dias; e 26% possuíram menos de dois dias.

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Fonte:
Cecafé

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