Chip em cavalos: tecnologia amplia monitoramento da saúde e reforça bem-estar animal no campo
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O uso de chip em cavalos deixou de ser apenas uma ferramenta de identificação e passou a ganhar espaço como aliado no monitoramento da saúde e no bem-estar dos equinos. Com apoio de sensores e inteligência artificial, a tecnologia permite acompanhar dados fisiológicos e comportamentais dos animais, antecipar problemas clínicos e apoiar decisões no manejo, ainda que sua adoção no Brasil esteja em fase inicial.
Atualmente, a maioria dos chips implantados em cavalos no país tem função de registro e rastreabilidade, especialmente em raças como o puro-sangue inglês e o quarto de milha. No entanto, estudos acadêmicos e soluções tecnológicas em desenvolvimento indicam que o uso de sensores integrados e análise de dados tende a ampliar o papel desses dispositivos no campo.
A aplicação de sensores e chips subcutâneos permite a coleta automática e contínua de informações como nível de atividade, temperatura corporal e padrões de comportamento dos cavalos. Esses dados são analisados por sistemas de inteligência artificial, que comparam os registros ao histórico individual de cada animal.
Segundo a pesquisadora e professora da UNIASSELVI (Centro Universitário Leonardo da Vinci), Dra. Maquiel Vidal Nardon, essa abordagem possibilita a detecção precoce de alterações fisiológicas ou comportamentais, muitas vezes antes do surgimento de sinais clínicos visíveis. Irregularidades de marcha, mudanças no comportamento e indícios de dor ou inflamação podem ser identificados com maior precisão, favorecendo intervenções rápidas e reduzindo custos com tratamentos tardios. A análise de dados reduz a particularidade nas avaliações clínicas ao oferecer parâmetros objetivos e comparáveis ao longo do tempo, contribuindo para decisões mais seguras na rotina veterinária.
Tecnologia ainda concentrada em nichos
Apesar dos avanços, o monitoramento de saúde por chip ainda não é uma realidade disseminada entre os criadores brasileiros. De acordo com a Nardon, essas tecnologias foram inicialmente adotadas por centros de treinamento de alto rendimento e haras com animais de elevado valor econômico.
Com a evolução de plataformas baseadas em Internet das Coisas e softwares em nuvem, o custo e a complexidade de implantação começaram a cair. Esse movimento tem aberto espaço para que soluções voltadas ao monitoramento de saúde e comportamento cheguem a criadores de diferentes perfis, impulsionadas pela busca por manejo mais eficiente e preventivo.
Identificação ainda é o uso mais comum
Na prática, o chip em cavalos é amplamente utilizado no Brasil como ferramenta de identificação oficial. O jornalista, apresentador do quadro HORA DO HARAS, do programa Pecuária e Mercado, no Notícias Agrícolas e criador de cavalos Hermano Henning explica que, no caso do puro-sangue inglês, o chip é implantado por um inspetor da associação da raça no momento do registro do animal.
O dispositivo reúne informações de linhagem, como dados de pai, mãe e raça, após exames como o de DNA. Segundo Henning, o mesmo ocorre com o quarto de milha, e esses chips não têm a função de acompanhar a saúde ou a atividade do animal, servindo exclusivamente para identificação e controle do registro.
Pesquisas mostram potencial da tecnologia
Mesmo com uso ainda restrito no manejo comercial, o monitoramento de equinos por sensores e inteligência artificial já apresenta resultados positivos em pesquisas brasileiras. Um estudo publicado na revista científica Lumen et Virtus (LEV), do grupo New Science em 2025 avaliou um sistema de IA aplicado ao acompanhamento da saúde de cavalos da Polícia Militar do Paraná, demonstrando a viabilidade da tecnologia para gerar alertas e relatórios precisos sobre condições fisiológicas dos animais.
Grupos de pesquisa em equinocultura e manejo animal também investigam como essas ferramentas podem contribuir para o bem-estar, o comportamento e a prevenção de doenças em cavalos, reforçando o potencial da tecnologia no setor.
O que diz a legislação
Não há, até o momento, uma lei federal que obrigue o uso de chip em cavalos para monitoramento de saúde no Brasil. Existem, porém, projetos em tramitação nos estados. No Rio Grande do Sul, uma proposta prevê a obrigatoriedade do microchip para identificação eletrônica e liberação de trânsito de equinos, com emissão digital da Guia de Trânsito Animal. Em Sergipe, há projeto semelhante voltado à identificação eletrônica de equinos, muares e asininos, com foco em rastreabilidade e bem-estar animal.
No âmbito federal, o Ministério da Agricultura e Pecuária discute a criação de um sistema integrado de identificação e rastreamento de equídeos, com possíveis padrões nacionais e passaporte equino, voltados principalmente ao controle sanitário e à movimentação dos animais.
Procedimento e desafios
A implantação do chip em cavalos é feita por médicos-veterinários, geralmente na região do pescoço, sob a pele, em clínicas especializadas, associações de criadores ou programas coordenados por órgãos estaduais.
Apesar dos benefícios, desafios como conectividade em áreas rurais, capacitação técnica para interpretação dos dados e custo inicial de aquisição ainda limitam a expansão dessas soluções. Ainda assim, a tendência é de crescimento do uso de tecnologias baseadas em dados no manejo equino, com impactos diretos na saúde, no bem-estar e na eficiência da produção.
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