Mercado cafeeiro inicia 2026 em ritmo lento enquanto agentes aguardam novos fundamentos
O início de 2026 tem sido marcado por um mercado de café mais lento e cauteloso. De acordo com análises da Hedgepoint Global Markets, os agentes seguem atentos ao desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil e ao comportamento da oferta global, especialmente neste período de entressafra, além de movimentos cambiais.
Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, apesar do breve movimento de alta nos preços no início de janeiro, influenciado pelos temores de tensão diplomática entre Colômbia e Estados Unidos após a operação norte‑americana na Venezuela, o mercado rapidamente voltou ao modo de observação.
“Com a perda de intensidade das preocupações geopolíticas, o mercado retomou o foco nas condições das safras ao redor do globo. O volume de negócios voltou a um ritmo mais calmo, tanto no Brasil quanto em outras origens”, afirma Moda.
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Condições climáticas favorecem o Brasil, mas vendas seguem lentas
No Brasil, o clima tem contribuído para um desenvolvimento saudável da safra 26/27. “Mesmo com a onda de calor registrada no fim de 2025, as chuvas favoreceram o enchimento dos grãos. As quedas de frutos observadas em algumas regiões de arábica estão dentro da normalidade e não alteram, por ora, nossas projeções”, explica Moda.
As estimativas de produção da Hedgepoint permanecem entre 46,5 e 49,0 milhões de sacas de arábica, com revisão prevista entre março e abril, quando dados mais precisos estarão disponíveis.
Para o Conilon, tempestades recentes no Espírito Santo ainda não mostraram efeitos negativos relevantes, mas o clima seguirá sob monitoramento.
“A combinação de boa oferta de Conilon com arábica em maior volume pode levar o Brasil a uma safra recorde em 26/27, o que adiciona pressão baixista aos preços no médio prazo”, projeta a analista.
As vendas internas seguem em ritmo lento. Produtores capitalizados e insatisfeitos com os preços preferem segurar o produto. Houve movimento apenas na primeira semana de janeiro, quando o contrato março/26 do arábica atingiu 382 c/lb. Além disso, a recente baixa do dólar também tem reforçado esse movimento, especialmente para o mercado exportador, devido aos impactos diretos na receita.
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Exportações brasileiras recuam em relação ao ciclo anterior
As exportações da safra 25/26 seguem abaixo do ritmo de 24/25. Em dezembro de 2025, o país embarcou 3,13 milhões de sacas, queda de 20,2% na comparação anual:
Arábica: 2,63 milhões de sacas (‑10%)
Conilon: 222,15 mil sacas (‑61,1%)
“Além das vendas mais lentas, as tarifas dos Estados Unidos sobre o café solúvel também influenciaram o recuo. Já vínhamos de um ciclo recorde, então algum ajuste era esperado”, destaca Moda.
Outras origens: vendas moderadas e produtores cautelosos
O comportamento lento não é exclusivo do Brasil.
- Indonésia: Oferta limitada na entressafra e preocupação com fortes chuvas levam produtores a adiar vendas.
- Vietnã: Mesmo com exportadores ativos, produtores vendem pouco, devido à queda dos preços. O preço interno caiu de mais de 150.000 dongs no início de 2025 para menos de 100.000 dongs em 2026.
- Colômbia: Menor oferta em 25/26 e valorização do peso colombiano desestimula vendas.
“A perda de margem na Colômbia tende a segurar ainda mais a oferta nas próximas semanas. Esse cenário de vendas lentas ao redor do globo vem contribuindo para a percepção de oferta limitada no curto prazo, elevando o spread para entre os contratos de menor vencimento” , analisa.
Spreads seguem pressionados, mas maio–julho começa a ceder
Os spreads entre os contratos futuros de menor vencimento continuam refletindo preocupações com oferta limitada:
- Março/26 – Maio/26: permanece em tendência de alta, entre os 16 e 18 c/lb.
- Maio/26 – Julho/26: embora positivo, vem recuando para a faixa de 6–7 c/lb, sinalizando expectativa de maior oferta nos próximos meses com a safra brasileira.
Para a analista, à medida que os produtores se preparam para uma grande safra, as vendas tendem a aumentar para cobrir custos de colheita e liberar espaço de armazenagem. Isso pode acrescentar pressão baixista especialmente sobre o contrato de maio e julho.
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