Inflação na zona do euro será afetada por tarifas mas cortes nos juros podem compensar, dizem economistas do BCE

Publicado em 10/02/2026 08:24

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FRANKFURT, 10 Fev (Reuters) - As tarifas dos Estados Unidos estão pesando sobre o crescimento e a inflação da zona do euro, mas os setores mais afetados também são sensíveis às taxas de juros, portanto, reduzir os custos dos empréstimos poderia compensar as pressões de queda dos preços, afirmou uma publicação no blog do Banco Central Europeu nesta terça-feira.

Os EUA impuseram tarifas sobre a maioria dos seus parceiros comerciais no ano passado e as autoridades do BCE têm estudado o seu impacto provável, chegando frequentemente a conclusões opostas uma vez que as barreiras comerciais afetam a economia em vários níveis.

Mas um estudo feito por economistas do BCE concluiu que a queda na demanda devido às tarifas supera quaisquer efeitos de aumento da inflação, criando um entrave para os preços.

“Em seu ponto mais baixo, cerca de um ano e meio após uma surpresa comercial relacionada às tarifas que reduziu as exportações da zona do euro para os Estados Unidos em 1%, o nível dos preços ao consumidor está cerca de 0,1% mais baixo”, argumentou a publicação no blog, que não representa necessariamente as opiniões do BCE.

Os dados comerciais têm sido voláteis ao longo do último ano uma vez que as empresas anteciparam as compras para evitar as tarifas, que têm como base 15% para os produtos da UE que entram nos EUA, e depois esgotaram os estoques.

No entanto, nos últimos três meses para os quais há dados disponíveis, as exportações da zona do euro para os EUA caíram cerca de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Essas conclusões são significativas, uma vez que a inflação da zona do euro caiu para 1,7% em janeiro, abaixo da meta de 2% do BCE, e algumas autoridades temem que a inflação possa cair ainda mais.

A boa notícia para o BCE é que os setores mais afetados pelo choque tarifário também respondem mais fortemente às mudanças nas taxas de juros, argumentou o blog. Esses setores incluem máquinas, automóveis e produtos químicos.

A produção pode cair drasticamente por causa das tarifas, mas se expande fortemente em resposta aos custos mais baixos dos empréstimos, argumentaram.

“Constatamos que esse padrão se mantém em cerca de 60% dos setores que estudamos – representando aproximadamente 50% da produção industrial média total da zona do euro e do total das exportações de bens para os Estados Unidos”, afirmaram os economistas.

(Reportagem de Balazs Koranyi)

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Fonte:
Reuters

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