Exportações de DDG avançam 9,77% e abrem nova frente estratégica para o milho brasileiro
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As exportações brasileiras de DDG e DDGS alcançaram 879,358 mil toneladas em 2025, volume 9,77% superior às 801,101 mil toneladas embarcadas em 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados e divulgados pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O resultado confirma a expansão consistente desse coproduto da indústria de etanol de milho. Ainda segundo a entidade, no ano passado o Brasil encerrou o ciclo com presença em 25 mercados internacionais.
O avanço está diretamente ligado ao crescimento da produção de etanol de milho. A Unem estima cerca de 10 bilhões de litros do biocombustível na safra 2025/26. Esse movimento amplia o volume de DDG e DDGS destinado ao mercado externo.
Um marco recente reforça essa nova etapa. A Inpasa realizou o primeiro embarque de DDGS para a China, com 62 mil toneladas, pelo Porto de Imbituba (SC). Para Rafael Verruck, diretor de trading mercado interno, óleo e DDGS da empresa, o envio representa o início de uma nova fase para o agronegócio brasileiro. “A China é o principal destino das exportações agropecuárias do Brasil e ser a primeira empresa habilitada para esse fluxo de DDGS nos coloca em um patamar de confiança global muito elevado”, afirmou.
Etanol de milho impulsiona nova dinâmica no campo
A expansão do DDG não ocorre de forma isolada. De acordo com Nathalia Giannetti, responsável pela precificação de grãos da consultoria Argus, a formação de preços do milho vem sendo impactada principalmente pela demanda das usinas de etanol, e não diretamente pelo DDG/DDGS. “Quando olhamos para a dinâmica de preços domésticos de milho ao longo dos últimos dois anos, já é possível perceber que o consumo por parte das usinas de etanol é a principal força por trás de movimentos de alta e de baixa”, explica.
O DDG é um coproduto da produção de etanol de milho, e sua maior oferta decorre da expansão dessa indústria. Assim, o aumento das exportações reflete o crescimento do setor energético. “Caso o Brasil consiga se consolidar como um grande fornecedor de DDG/DDGS no mercado global, essa seria uma demanda que impulsionaria ainda mais o setor de etanol de milho, que já vem crescendo exponencialmente ao longo da última década”, observa.
Os números projetados reforçam essa tendência estrutural. A Unem aponta produção de 9,9 bilhões de litros de etanol de milho e 4,83 milhões de toneladas de DDGS em 2025/26. Para 2034/35, a projeção é de 21,76 bilhões de litros e 10,39 milhões de toneladas, respectivamente.
Demanda firme e impacto na segunda safra
Para o produtor rural, o principal efeito aparece na demanda contínua pelo milho. Guilherme Nolasco, presidente-executivo da Unem, afirma que o setor cresce acima de 20% ao ano e já posiciona o Brasil como segundo maior produtor mundial de etanol de milho e, consequentemente, de DDG/DDGS, com volume próximo a 20% da produção dos Estados Unidos. Esse avanço amplia o consumo interno do cereal.
Segundo o executivo, a indústria vem agregando valor à produção primária e estabelecendo contratos antecipados de compra, o que traz maior previsibilidade de demanda pelo milho. Esse cenário estimula investimentos e fortalece a produção da segunda safra.
Nathalia Giannetti avalia que há potencial de consolidação internacional. “Caso o Brasil consiga se consolidar como um grande fornecedor de DDG/DDGS no mercado global, essa seria uma demanda que impulsionaria ainda mais o setor de etanol de milho”, afirmou. Ela pondera que o país precisará manter ampla oferta de milho, o que pode gerar pressão baixista dependendo do equilíbrio entre oferta e demanda.
China amplia horizontes e exige competitividade
A diversificação de destinos reforça a segurança comercial. De acordo com a Unem, os principais compradores são Turquia, Vietnã, Nova Zelândia, Espanha e Indonésia, além de novos mercados como Egito, Arábia Saudita, Uruguai, Austrália, Paraguai e Bolívia. A atuação em 25 países reduz a dependência de um único destino.
A entrada da China ocorre em um contexto específico. “Por enquanto, a tendência é a China migrar para o mercado brasileiro devido às tarifas antidumping sobre o produto dos EUA”, explicou Nathalia Giannetti. Ela ressalta que o comportamento futuro dependerá da dinâmica de preços, estoques, qualidade do produto e custos logísticos.
Para Nolasco, a diversificação reduz vulnerabilidades. “A diversificação de mercados traz segurança ao setor e reduz a vulnerabilidade”, afirmou. Ele destaca que a presença internacional também estimula a melhoria da qualidade e da padronização do produto.
Integração fortalece a cadeia produtiva
Na prática, a indústria amplia a relação com o campo. “Para o produtor de milho, isso representa mais segurança e previsibilidade”, afirmou Rafael Verruck, diretor de trading mercado interno óleo e DDGS da Inpasa. Ele lembra que, com a projeção de cerca de 10 bilhões de litros de etanol na safra 2025/26, a demanda interna pelo grão se torna cada vez mais robusta.
A Inpasa produz cerca de 3 milhões de toneladas de DDGS e 5,8 bilhões de litros de etanol, operando sete unidades — cinco no Brasil e duas no Paraguai —, além de três plantas em construção em Luís Eduardo Magalhães (BA), Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT). “Essa presença física nas principais regiões produtoras funciona como um verdadeiro ‘colchão’ de estabilidade”, destacou o diretor.
Sobre sustentabilidade econômica, Verruck acrescenta que a abertura do mercado chinês, somada aos demais mercados internacionais atendidos pelo Brasil, traz resiliência ao setor. “Em vez de exportar apenas o grão in natura, transformamos o milho em energia limpa e proteína de alta digestibilidade, com 32% de proteína, dentro das nossas biorrefinarias, gerando desenvolvimento regional antes mesmo do produto chegar ao porto”, ressalta.
Diante desse cenário, o DDG deixa de ser apenas um co-produto e passa a ocupar posição estratégica na cadeia do milho. Com crescimento consistente, ampliação de mercados e maior previsibilidade industrial, o produtor encontra um ambiente de demanda mais estruturado. O desafio permanece na competitividade, na logística e no equilíbrio entre oferta e consumo, mas o setor demonstra força para consolidar esse novo capítulo do agronegócio brasileiro.
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