Equação para Brasil vender mais soja à China, apesar dos EUA, envolve Argentina, diz Hedgepoint
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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 26 Fev (Reuters) - O Brasil pode elevar suas exportações para a China em 2026, após máximas históricas no ano anterior, mesmo que enfrente neste ano maior concorrência dos Estados Unidos no mercado chinês, em uma equação que envolve menos vendas da Argentina, avaliou nesta quinta-feira um analista da Hedgepoint Global Markets.
No ano passado, os EUA estiveram ausentes do mercado chinês em parte da temporada, o que permitiu que o Brasil (maior produtor e exportador global) exportasse 85,4 milhões de toneladas à China, avanço de 18% em relação a 2024, segundo dados do governo brasileiro.
Após a trégua comercial entre as duas potências econômicas em outubro passado e declarações do presidente Donald Trump de que a China compraria mais dos EUA, surgiram dúvidas se o Brasil manteria um crescimento junto ao maior importador de soja.
Mas esta possibilidade está ligada à expectativa de redução dos embarques da Argentina ao mercado chinês, já que o país vizinho geralmente se concentra mais no processamento local e terá uma safra menor em 2026.
"Essa é uma boa pergunta. O nosso número hoje é exportação maior (do Brasil para a China em relação ao ano anterior). Mas esse é o principal número que vai gerar dúvida ao longo do ano", afirmou o analista Luiz Fernando Roque, da Hedgepoint, em dia em que a consultoria realiza apresentação de suas perspectivas para 2026.
Além de projetar uma redução nas exportações de soja da Argentina para a China, o aumento nos embarques do Brasil e dos EUA poderia ocorrer para atender um crescimento esperado de 4 milhões de toneladas nas importações chinesas, para 112 milhões de toneladas.
"A gente tem que lembrar que a Argentina, que exportou para mais, este ano vai exportar menos, porque de safra é menor. Então já bota uns 4 ou 5 milhões a mais na mão dos americanos ou do Brasil", disse ele.
"Acho que tem espaço para aumentar tanto compras de soja americana como de brasileira."
Em 2025, a participação dos EUA no mercado de soja na China caiu para 15%, ante 21% no ano anterior, enquanto a do Brasil avançou para 73,6%, ante 71% em 2024, e a Argentina viu sua fatia saltar para 7%, versus 4%, segundo dados do governo chinês.
SAFRA RECORDE, FARELO...
Outro fator que conta para a competitividade brasileira é uma safra recorde, estimada pela consultoria em 179,5 milhões de toneladas.
"A safra brasileira está em plena colheita, então ainda existem dúvidas com relação ao tamanho da produção, embora tudo indique que a gente vai ter um recorde", disse Roque, ponderando que pode haver algum ajuste dependendo do impacto do clima seco para a safra do Rio Grande do Sul.
"Mas, na minha opinião, pelo que a gente viu até agora, nada muito relevante. Nada que não possa ser compensado por outros Estados brasileiros."
Apesar da grande safra do Brasil, o analista não vê neste momento "espaço" para a soja negociada na bolsa de Chicago voltar ao patamar de US$10 o bushel, embora considere uma possível "acomodação" adiante. Na quarta-feira, o produto alcançou uma máxima de três meses, com o contrato maio fechando a US$11,65/bushel.
Ele comentou que, considerando a relação de estoque/uso e preço atual, o mercado dos EUA está "muito próximo do equilíbrio", já que a demanda por óleo de soja para a produção de biocombustíveis tem atuado como um importante fator de suporte.
"O óleo, querendo ou não, está ajudando a segurar um pouco este preço também."
De outro lado, ele comentou que o cenário é baixista para o farelo -- o outro derivado do esmagamento de soja--, "porque cada vez mais a demanda por soja começa a se basear numa questão energética", enquanto o consumo da matéria-prima da ração não está crescendo na velocidade da oferta na China.
(Por Roberto Samora)
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