Chuvas 240% acima esperado comprometem produção de leite e hortaliças em Juiz de Fora/MG

Publicado em 27/02/2026 07:00 e atualizado em 27/02/2026 07:35
Volume muito superior ao esperado em fevereiro compromete silagem, dificulta escoamento e mobiliza entidades do agro na Zona da Mata
Alagamento em UbáMG - Fev 2026
Alagamento em Ubá/MG - Foto: Prefeitura de Ubá

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O mês de fevereiro trouxe um cenário desafiador para quem vive da terra em Juiz de Fora, sudeste de Minas Gerais e outros municípios próximos. De acordo com o INMET, Instituto Nacional de Meteorologia,  até o dia 24, o município somou 579,3 milímetros de precipitação, índice 240% superior ao padrão climatológico do período. O resultado foi solo saturado, estradas danificadas e rotina produtiva comprometida.

Entre os dias 22 e 24, foram registrados 229,9 milímetros, conforme levantamento do Instituto. A concentração da água em curto intervalo agravou enxurradas e ampliou riscos geológicos. No meio rural, isso significou paralisação de atividades e dificuldade para manter o fluxo normal da produção.

A Zona da Mata tem forte presença da pecuária leiteira e depende do milho destinado à alimentação do rebanho. Com as áreas encharcadas no momento decisivo da colheita, parte expressiva das lavouras não pôde ser retirada no ponto ideal. O reflexo imediato aparece na oferta e no valor nutritivo do volumoso.

Colheita incompleta e qualidade reduzida elevam preocupação

O presidente do Sindicato Rural de Juiz de Fora, Osni Pessamilio, relata perdas significativas nas propriedades. “Nossa região é voltada para o leite. Aqui, os produtores plantaram milho para silagem. Das quatro partes que foram plantadas, apenas uma consegui colher. A maioria (dos produtores) não conseguiu colher nada”, afirmou. Boa parte das áreas ficou inacessível devido às condições do terreno.

Além da redução na área aproveitada, houve impacto direto na composição do alimento armazenado. “A questão da qualidade é importante porque a silagem fica sem qualidade. A situação está bem complicada. A situação dos hortifruti, por exemplo, não tem como salvar a produção ou escoá-la”, disse. 

Mesmo investimentos em tecnologia não evitaram prejuízos. “Plantamos milho com muita tecnologia. Uma lavoura excelente, mas na hora da colheita, aconteceu isso. Não estamos reclamando, é uma situação que não temos controle”, declarou. Segundo ele, a queda de perdas por qualidade pode chegar a 60%, enquanto os números finais de volume ainda estão sendo levantados.

Terreno instável impede operações e amplia perdas

Em áreas inclinadas, o solo escorregadio tornou arriscado o uso de máquinas agrícolas. “Nas áreas de morro está escorregadio; na área plana, alagada”, explicou Pessamilio. Essa condição limita deslocamentos, atrasa tarefas e aumenta a probabilidade de acidentes.

Nos terrenos mais baixos, o acúmulo de água prejudica raízes e favorece doenças. Verduras e legumes, mais sensíveis à umidade constante, sofrem danos rápidos. Sem acesso adequado às vias de transporte, muitos produtores não conseguem levar a mercadoria até os pontos de venda. A situação também atinge municípios vizinhos, como Ubá. Qualquer atraso pode resultar em descarte, dada a natureza perecível do produto.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, fevereiro de 2026 figura entre os períodos mais úmidos dos últimos anos em Minas Gerais, principalmente nas regiões Centro-Sul e Oeste do estado. A previsão indica continuidade das precipitações até o dia 27 (sexta-feira). A média histórica para o município mineiro é de 170,3 milímetros, número amplamente ultrapassado neste ano. 

Entidades reforçam suporte ao produtor rural

Diante das dificuldades, o Sistema Faemg Senar divulgou posicionamento oficial de apoio às famílias do campo. “O Sistema Faemg Senar manifesta sua solidariedade aos produtores rurais e às famílias de Juiz de Fora, Ubá e demais municípios da Zona da Mata mineira que enfrentam, nas últimas semanas, os impactos das fortes tempestades na região”, informou a instituição.

A entidade destacou que as tempestades provocaram danos em cultivos, vias de acesso e estruturas produtivas. Plantios sensíveis à instabilidade climática tendem a registrar prejuízos mais imediatos. O cenário exige ação coordenada entre produtores e lideranças regionais.

“O Sistema Faemg Senar permanece ao lado de todos os municípios da Zona da Mata. O escritório regional de Juiz de Fora está à disposição para colaborar no que for necessário”, ressaltou a organização. A mobilização inclui orientação técnica e articulação institucional para auxiliar na recuperação das atividades rurais.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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