Petróleo sobe 8% com interrupção de fluxo do Oriente Médio por conflito no Irã
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Por Florence Tan e Alex Lawler
CINGAPURA/LONDRES, 2 Mar (Reuters) - O preço do petróleo subia perto de 8% na manhã desta segunda-feira, depois que ataques retaliatórios do Irã interromperam o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz, após o bombardeio do fim de semana por Israel e pelos Estados Unidos que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Um aumento sustentado nos preços ameaçaria a recuperação econômica global, estimularia a inflação e poderia elevar os preços da gasolina no varejo nos EUA, um resultado arriscado para o presidente Donald Trump antes das eleições de meio de mandato em novembro.
No entanto, o aumento dos preços na retomada das negociações após o fim de semana foi menor do que apontavam algumas previsões de analistas.
Os futuros do petróleo Brent subiram até 13%, para US$82,37 o barril, o maior valor desde janeiro de 2025, antes de recuarem para uma alta de US$5,56, ou 7,6%, a US$78,43 o barril às 7h55 (horário de Brasília).
O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA chegou a atingir uma alta intradiária de US$75,33, aumento de mais de 12% e o maior valor desde junho, embora tenha posteriormente reduzido os ganhos e subido US$4,80, ou 7,2%, para US$71,82.
“O movimento mais recente reflete a incerteza em torno da escala e da duração do conflito atual e reconhece que o futuro político do Irã pode ter implicações importantes para a estabilidade do Oriente Médio”, disse James Hosie, da Shore Capital.
No domingo, alguns analistas previram que o petróleo abriria na segunda-feira a mais de US$90 o barril e mais perto de US$100.
Os preços subiram quando uma troca de contra-ataques danificou petroleiros e interrompeu os embarques no Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, que liga o Golfo ao Mar Arábico.
Em um dia normal, navios que transportam petróleo equivalente a cerca de um quinto da demanda global da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã e Kuweit navegam pelo estreito junto com petroleiros que transportam diesel, combustível de aviação, gasolina e outros combustíveis de suas refinarias para os principais mercados asiáticos, incluindo China e Índia.
Mais de 200 embarcações, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás liquefeito, ancoraram fora do estreito, segundo dados de transporte marítimo divulgados no domingo. Três navios-tanque foram danificados e um marinheiro morreu em ataques nas águas do Golfo.
PREÇOS REDUZEM GANHOS
O petróleo reduziu os ganhos após o forte aumento no início do pregão asiático, um movimento que os analistas atribuíram aos compradores já incorporando um prêmio de risco nos preços em antecipação ao conflito.
O Brent subiu mais de 19% este ano até o fechamento da sexta-feira, enquanto o WTI era negociado com alta próxima a 17%.
“Os mercados estão reconhecendo a gravidade do conflito, mas também sinalizando que, por enquanto, trata-se de um choque geopolítico, não de uma crise sistêmica”, disse Priyanka Sachdeva, analista sênior da Phillip Nova.
A Opep+ concordou no domingo com um aumento na produção de petróleo de 206.000 barris por dia para abril. Todos os produtores da Opep+ estão essencialmente produzindo em capacidade máxima, exceto a Arábia Saudita, disse a analista da RBC Capital, Helima Croft.
(Reportagem de Florence Tan e Sudarshan Varadhan)
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