Preços do petróleo avançam mais de 7% em meio a conflito no Irã, Brent tem máxima em 19 meses
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Por Shadia Nasralla
LONDRES, 3 Mar (Reuters) - Os indicadores de referência do petróleo subiam cerca de 7% nesta terça-feira, disparando pela terceira sessão consecutiva, à medida que o conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irã se intensifica, afetando os embarques de combustível e aumentando os temores de novas interrupções no fornecimento de petróleo e gás do Oriente Médio.
Os futuros do petróleo Brent subiam US$6, ou 7,7%, para US$83,75 o barril, por volta das 12h15 (horário de Brasília), após atingirem seu maior nível desde julho de 2024, a US$85,12.
O petróleo West Texas Intermediate, negociado nos EUA, avançava US$5,72, ou 8%, para US$76,92, após marcar seu maior nível desde junho, a US$77,58.
Os dois contratos subiram 17% e 16%, respectivamente, desde o fechamento da sexta-feira, antes do início dos ataques.
A guerra aérea dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se ampliou desde os primeiros ataques dos israelenses no sábado, com país atacando também o Líbano, e o Irã respondendo com ataques contra a infraestrutura energética dos países do Golfo e petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Navios-tanque e porta-contêineres estão evitando a hidrovia depois que as seguradoras cancelaram a cobertura para embarcações e as taxas globais de transporte de petróleo e gás dispararam. As preocupações aumentaram depois que a mídia iraniana informou na segunda-feira que um autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse que o Estreito de Ormuz está fechado, alertando que o Irã atirará em qualquer navio que tentar passar.
"Embora haja preocupações com o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, um risco maior para o mercado seria o Irã atacar outras infraestruturas de energia na região. Isso poderia levar a interrupções mais prolongadas", afirmaram analistas do ING em uma nota.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos estão lidando com um grave incêndio no porto de Fujairah, informou a mídia estatal na terça-feira. Os carregamentos de petróleo de Kirkuk, no Iraque, no porto de Ceyhan, na Turquia, foram interrompidos na terça-feira, disse uma fonte do setor de transporte marítimo à Reuters.
Desde o início dos ataques na região, a infraestrutura de petróleo e gás em vários países foi fechada devido a danos ou como medida de precaução. O Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito, Israel interrompeu a produção em alguns campos de gás, a Arábia Saudita fechou sua maior refinaria e a produção no Curdistão iraquiano praticamente cessou.
Nos mercados de gás, os contratos de referência holandeses, os preços do gás britânico e os preços do GNL europeu e asiático subiram.
Analistas esperam que os preços do petróleo permaneçam elevados nos próximos dias, enquanto os mercados se concentram no impacto da escalada do conflito.
Na segunda-feira, a Bernstein elevou sua previsão para o preço do petróleo Brent em 2026 de US$65 para US$80 por barril, mas afirmou que os preços poderiam chegar a US$120-150 em um caso extremo de conflito prolongado.
Os futuros de produtos refinados também estão subindo porque as instalações de processamento do Oriente Médio estão em risco.
Os futuros do diesel com teor ultrabaixo de enxofre nos EUA subiram 15%, para US$3,32 por galão, após atingirem a máxima em dois anos na segunda-feira. Os futuros da gasolina subiram 6%, para US$2,50 por galão.
Os futuros de gasóleo europeu subiram 16%, para US$ 1.025 por tonelada métrica, após um salto de 18% na segunda-feira.
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