Diesel da Petrobras tem maior defasagem ante o importado desde 2022; importador pede reajuste

Publicado em 05/03/2026 16:05

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Por Marta Nogueira e Roberto Samora

RIO DE JANEIRO, 5 Mar (Reuters) - A Petrobras está vendendo seu diesel a distribuidoras com preços cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022, apontou relatório do Goldman Sachs enviado a clientes nesta quinta-feira.

O movimento ocorre devido a uma disparada dos preços do combustível fóssil do exterior, com a escalada de conflitos no Oriente Médio, ressaltou o Goldman.

Os preços do Brent e do diesel internacional aumentaram em 16% e 33%, respectivamente, desde a última sexta-feira, segundo dados do banco, publicados pela manhã.

Nesta quinta-feira, o Brent subia cerca de 5% por volta de 16h (horário de Brasília), enquanto o petróleo nos Estados Unidos (WTI) subia 8%, devido ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

A Petrobras historicamente evita repassar imediatamente a volatilidade global aos preços locais, segundo reiterou a presidente da petroleira à Reuters, no início da semana. Na ocasião, outras fontes da companhia também disseram à Reuters que a petroleira monitorava de perto os desdobramentos do conflito e previa uma semana de observação no mercado de petróleo antes de uma eventual decisão sobre reajuste.

A última vez que a Petrobras mexeu no preço do diesel foi em 6 de maio de 2025, quando ela reduziu o valor médio do combustível vendido a distribuidoras em 4,7%, para R$3,27 por litro, concluindo uma sequência de cortes diante de um recuo dos preços do petróleo no mercado internacional naquela oportunidade. O último aumento do produto pela estatal foi em fevereiro do ano passado.

O diesel importado responde por cerca de 25% da oferta do combustível no Brasil, com a parcela restante sendo produzida por refinarias locais, principalmente a Petrobras, lembrou o Goldman.

Um cenário sem reajuste, acrescentou o banco, poderia desincentivar distribuidores e importadores independentes a importar o combustível, reduzindo a disponibilidade do produto no país.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, afirmou que entende a decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado antes da realização de reajustes, mas pontuou que já está na hora de elevar os preços internos.

"Considerando que a gente não tem nenhuma sinalização de que esse conflito vai terminar em breve, eu acho que está na hora sim (de ajustar o diesel), porque com essa defasagem tão elevada, isso aumenta substancialmente o risco de novas operações de importação", disse Araujo, à Reuters.

Do ponto de vista de suprimento, o presidente da Abicom afirmou que não tem visto dificuldade de encontrar diesel no mercado externo, e que os navios que vêm ao Brasil não dependem do Estrito de Ormuz, onde a navegação de petroleiros está prejudicada em função da guerra no Irã.

"A gente tem trazido produtos da Rússia, algum produto da Índia e também dos Estados Unidos. Então é possível, é factível fazer as operações, garantir o abastecimento, mas essa defasagem elevada realmente aumenta muito o risco", afirmou.

POSITIVO PARA EXPORTAÇÃO

O Goldman Sachs ponderou, entretanto, que os efeitos positivos de preços mais altos do petróleo no segmento de produção devem mais do que compensar qualquer possível impacto negativo no Ebitda do segmento refino da Petrobras, em um cenário de ausência de repasse nos preços de diesel e gasolina.

A Petrobras exportou no ano passado um volume equivalente a 32% de sua produção de petróleo.

O banco também afirmou acreditar que a governança atualmente em vigor na petroleira "provavelmente" protegeria a empresa de um eventual cenário de ausência de repasse por um longo período.

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Fonte:
Reuters

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