Dia das mulheres: no Agro ou no mundo, a delicadeza e vitória da força feminina

Publicado em 06/03/2026 10:25 e atualizado em 08/03/2026 17:40
No campo, nas estradas e na gestão das fazendas, mulheres transformam o agro brasileiro com sensibilidade, coragem e inovação.

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“Não existe desenvolvimento rural sem a sensibilidade feminina”, afirma a pecuarista mato-grossense Mara Ferreira. A frase resume uma realidade que cresce silenciosamente nas propriedades rurais brasileiras. Durante décadas, o imaginário do campo foi marcado por figuras masculinas, mas essa paisagem vem mudando. Cada vez mais mulheres assumem o protagonismo na produção, na gestão e na inovação dentro do agronegócio.

Hoje, elas estão na condução de fazendas, no manejo de rebanhos, no planejamento financeiro e na adoção de novas tecnologias. Também ocupam espaços estratégicos em áreas técnicas como medicina veterinária, agronomia e zootecnia. Com sensibilidade e visão, ajudam a moldar um agro mais eficiente, sustentável e humano.

A presença feminina sempre existiu no campo, mas por muito tempo esteve nos bastidores. Agora, essa força ganha voz nas decisões e nas lideranças. É uma transformação silenciosa, construída com trabalho diário, dedicação à terra e amor pela produção de alimentos.

A sensibilidade que conduz a pecuária moderna

A trajetória de Mara Ferreira é um retrato dessa mudança no agro brasileiro. Pecuarista em Diamantino, a cerca de 208 quilômetros de Cuiabá, ela cresceu em meio aos animais e às paisagens do campo. As lembranças da infância na chácara do avô foram sementes que germinaram em vocação profissional.

Com o tempo, aquela menina curiosa decidiu seguir carreira na medicina veterinária. Hoje atua em diferentes frentes dentro da pecuária, acompanhando desde o manejo sanitário até processos reprodutivos do rebanho. A rotina inclui inseminação artificial, orientação nutricional e cuidados clínicos com os animais.

Para ela, trabalhar no campo é mais do que uma profissão. "É a realização de um sonho que nasceu ainda na infância e amadureceu com os anos. “Foi um sonho de criança que se concretizou”, conta com orgulho.

A experiência também inspira a próxima geração. Mara vê a própria filha seguir o mesmo caminho, prestando vestibular para medicina veterinária. "Essa continuidade representa não apenas um legado familiar, mas a prova de que o agro também é espaço de futuro para as mulheres", afirma.

Mulheres que conquistam espaço nas decisões do campo

Na avaliação da pecuarista, as mulheres sempre fizeram parte do dia a dia rural. Elas cuidavam da propriedade, ajudavam na produção e participavam das atividades do campo. "A diferença é que agora estão mais presentes nas decisões estratégicas das fazendas", constata.

Segundo Mara, o olhar feminino contribui com novas perspectivas dentro da produção rural. A capacidade de organização, sensibilidade social e visão multidisciplinar são características que ajudam na administração moderna das propriedades. “Às vezes não temos a mesma força física, mas contribuímos com inovação, gestão e visão social”, destaca. Essa combinação de habilidades vem ampliando o papel feminino no agronegócio.

Quem acompanha de perto essa transformação é Paula Sodré Queiroz, diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac). Para ela, a presença feminina deixou de ser exceção e passou a integrar a estrutura da cadeia produtiva da carne no estado.

Paula acredita que a participação das mulheres fortalece o setor. “Estamos ocupando espaços de liderança, de técnica e de decisão. É uma tendência consistente que tem trazido mudanças importantes para o campo”, afirma.

Empreendedorismo feminino que nasce da terra

Na agricultura, histórias de superação também florescem com protagonismo feminino. A empresária e produtora rural Nadieli Cardim de Oliveira encontrou no campo a oportunidade de transformar sua vida e construir independência financeira.

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A empresária e produtora rural Nadieli Cardim de Oliveira

Mãe de quatro filhos e pertencente à quarta geração de produtores rurais da família, ela decidiu inovar na produção agrícola. Foi na banana que encontrou o caminho para empreender e agregar valor à produção rural.

Há cinco anos, Nadieli iniciou uma pequena agroindústria voltada à produção de derivados da fruta. Hoje, sua empresa produz diferentes itens, como banana chips, chips da variedade pelipita, banana coberta com chocolate e bala de banana.

O início foi desafiador. Ela conta que não tinha experiência com agroindústria nem com negociação em grandes redes de supermercados. Ainda assim, decidiu aprender no caminho, buscando conhecimento e adaptando-se às exigências do mercado.

Com dedicação e persistência, o negócio cresceu. Além da independência financeira, o empreendimento passou a gerar renda para outras mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.

O legado que se constrói com trabalho e esperança

Mais do que administrar um negócio, Nadieli vê sua empresa como uma missão social. Para ela, o trabalho no campo também pode transformar vidas, criando oportunidades e fortalecendo comunidades rurais.

Ela se emociona ao falar das colaboradoras que conquistaram autonomia financeira por meio do emprego. “Vejo a alegria delas quando percebem que podem escolher como viver suas próprias vidas”, relata.

Além disso, a produtora também compartilha conhecimento com jovens estudantes. Por meio de um projeto de empreendedorismo em escolas, ela orienta adolescentes sobre negócios e inovação no campo.

Para os filhos, deseja deixar uma mensagem simples, mas poderosa: acreditar no trabalho e agir com fé e dedicação. Segundo ela, quando existe propósito e esforço, o campo sempre encontra formas de florescer.

Seu sonho agora é expandir a empresa e tornar a marca referência nacional. "Quem sabe, no futuro, levar os produtos brasileiros para outros países e mostrar a força da agroindústria rural?", sonha a produtora.

Mulheres que enfrentam quilômetros para alimentar o Brasil

E se na fazenda elas cuidam da produção, nas estradas muitas mulheres garantem que os alimentos cheguem aos mercados. É o caso de Roseli dos Santos, motorista carreteira do Grupo Bom Jesus Agropecuária.

A conquista do volante foi resultado de um sonho cultivado ao longo de muitos anos. Antes de assumir a direção de caminhões, Roseli trabalhou em serviços gerais e no transporte coletivo de Rondonópolis, em Mato Grosso.

Em outubro de 2024, ela iniciou uma nova etapa profissional ao ingressar no grupo agropecuário. Hoje conduz caminhões bitrens de nove eixos, capazes de transportar até 75 toneladas de carga.

A empresa atua em estados como Mato Grosso, Bahia e Piauí, onde cultiva mais de 385 mil hectares de soja, milho e algodão, além de atividades na pecuária. Nesse sistema logístico, as motoristas desempenham papel essencial na ligação entre lavouras, armazéns e mercados.

Para Roseli, cada viagem representa um novo aprendizado. Rotas diferentes, distâncias longas e desafios diários fazem parte da rotina de quem escolheu viver na estrada.

Estradas que também são caminhos de conquista

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Mulheres cruzando as estrdas do pais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A motorista Jenyffer Silva Breem também construiu sua carreira no transporte rodoviário. Com experiência anterior ao ingresso na empresa, ela encara as estradas com disciplina e organização.

O dia começa cedo, muitas vezes antes do nascer do sol. A primeira tarefa é revisar o caminhão e planejar a viagem com atenção aos detalhes da rota.

Apesar dos avanços, ela reconhece que ainda existe preconceito contra mulheres na profissão. Mesmo assim, acredita que competência e dedicação são capazes de derrubar qualquer barreira.

“Se uma pessoa pode fazer, outra também pode”, afirma com convicção. A frase resume o espírito de muitas mulheres que conquistam espaço em áreas tradicionalmente masculinas.

Entre as profissionais mais experientes da empresa está Sueli Ribeiro, motorista desde 2014. Para ela, a atividade de transporte é parte fundamental da cadeia produtiva do agronegócio.

Sem caminhões nas estradas, a produção não chegaria aos mercados, feiras e açougues do país. “Somos parte do caminho que leva comida à mesa do brasileiro”, destaca.

Uma história de luta que atravessa gerações

A valorização das mulheres também tem raízes históricas. Um dos momentos marcantes dessa trajetória ocorreu em 1908, quando cerca de 15 mil trabalhadoras marcharam pelas ruas de Nova York.

Elas reivindicavam melhores condições de trabalho, redução da jornada e direito ao voto. O movimento inspirou a criação do primeiro Dia Nacional da Mulher nos Estados Unidos, celebrado em 1909.

Dois anos depois, durante uma conferência internacional em Copenhague, a ativista Clara Zetkin propôs a criação de uma data global dedicada à luta feminina por direitos.

A proposta foi aceita por representantes de 17 países e abriu caminho para a consolidação de um movimento internacional em defesa da igualdade.

8 de março: um símbolo global de conquistas

O dia 8 de março ganhou força histórica em 1917, quando trabalhadoras russas organizaram uma grande greve contra a fome e a guerra. A mobilização ficou conhecida como a Marcha das Mulheres de Petrogrado.

O protesto desencadeou acontecimentos que levaram à Revolução Russa e marcou definitivamente a data na história. Em homenagem ao protagonismo feminino, o governo soviético oficializou o 8 de março como feriado nacional.

Décadas depois, em 1975, a Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente o Dia Internacional da Mulher. Desde então, a data passou a simbolizar conquistas, reflexões e novos desafios.

No campo brasileiro, essa história continua sendo escrita todos os dias. Em cada fazenda, lavoura ou estrada, mulheres cultivam mais do que alimentos: cultivam futuro, dignidade e transformação.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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