Crise no Estreito de Ormuz pode provocar choque global nos alimentos e elevar custos do agro brasileiro
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A escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel no Golfo Pérsico está gerando preocupação no sistema alimentar global. Uma análise publicada pelo International Food Policy Research Institute (IFPRI) alerta que interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz podem desencadear um choque global nos preços de energia, fertilizantes e alimentos.
O alerta foi feito pelo economista agrícola Joseph Glauber, pesquisador do IFPRI e ex-economista-chefe do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Segundo ele, a interrupção das rotas marítimas da região pode provocar impactos em cadeia na produção agrícola e no abastecimento de alimentos.
De acordo com Glauber, “disrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Hormuz podem rapidamente se espalhar pelos mercados globais de energia, fertilizantes e alimentos”, elevando os custos de produção agrícola e ameaçando a segurança alimentar, especialmente em países altamente dependentes de importações.
Uma rota estratégica para energia e fertilizantes
O Estreito de Hormuz é um dos principais gargalos logísticos do comércio mundial. A região conecta o Golfo Pérsico ao oceano e concentra parte relevante do fluxo global de energia e insumos industriais.
Segundo a análise do IFPRI, cerca de 27% das exportações mundiais de petróleo, 20% do gás natural liquefeito e entre 20% e 30% do comércio global de fertilizantes passam por essa rota marítima.
Desde o início do conflito, ataques e riscos de segurança elevaram os custos de seguro marítimo e reduziram drasticamente o tráfego de navios na região. Dados citados pelo instituto indicam que o volume de embarcações que atravessam o estreito caiu mais de 70% após o início das hostilidades.
Esse cenário já pressiona os preços internacionais de energia e fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola.
Países do Golfo estão entre os mais vulneráveis
De acordo com Glauber, os primeiros impactos diretos devem ocorrer nos países do Golfo Pérsico, que dependem fortemente de importações de alimentos básicos como trigo, milho, arroz, óleos vegetais e oleaginosas.
Essas nações importam grande parte desses produtos por rotas marítimas ligadas ao Estreito de Hormuz. Caso o bloqueio se prolongue, os custos logísticos e energéticos podem aumentar significativamente, elevando também o preço final dos alimentos.
O economista do IFPRI também destaca que os impactos podem se expandir para outros países, especialmente por meio da elevação dos custos de fertilizantes e energia utilizados na produção agrícola global.
Possíveis reflexos para o Brasil
Embora o Brasil não utilize diretamente o Estreito de Hormuz para exportar suas commodities agrícolas, os efeitos da crise podem chegar ao país por meio do mercado global de insumos.
O primeiro canal de impacto é o preço dos fertilizantes. Parte relevante das exportações globais desses insumos vem de países do Golfo, como Catar, Arábia Saudita, Omã e Bahrein. Qualquer interrupção logística na região tende a reduzir a oferta e pressionar os preços internacionais.
Como o agronegócio brasileiro depende fortemente de fertilizantes importados, aumentos nos preços globais podem elevar o custo de produção de culturas como soja, milho e trigo.
Outro fator relevante é o mercado de energia. Aproximadamente 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Hormuz, e a crise já provocou forte volatilidade nos preços internacionais do petróleo.
O encarecimento da energia tende a impactar o transporte, o processamento e a logística agrícola, pressionando os custos ao longo da cadeia de alimentos.
Impactos podem aparecer no médio prazo
Segundo Joseph Glauber, os efeitos imediatos ainda podem ser limitados em alguns países porque muitos agricultores já adquiriram insumos para o plantio da atual temporada. No entanto, se o conflito se prolongar, os impactos podem afetar decisões de plantio, uso de fertilizantes e produtividade agrícola em diversas regiões do mundo.
Nesse cenário, analistas apontam que o risco maior não está apenas na produção agrícola, mas também na volatilidade dos mercados de energia e insumos, que pode desencadear uma nova rodada de pressão sobre os preços globais de alimentos.
Para países exportadores agrícolas como o Brasil, acompanhar a evolução do conflito e seus efeitos sobre fertilizantes, energia e logística internacional passa a ser fundamental para avaliar os custos e a competitividade das próximas safras.
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