Alternativa importante para a pecuária, DDGS ganha ainda mais espaço no portfólio das biorrefinarias de milho do BR

Publicado em 13/03/2026 10:21 e atualizado em 13/03/2026 12:41
Iniciativa da Inpasa busca diferenciar o produto no mercado e destacar características técnicas do ingrediente.

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A Inpasa anunciou o lançamento da marca FortiPro para identificar o DDGS produzido pela companhia no mercado de nutrição animal. A iniciativa foi apresentada como uma estratégia para diferenciar o produto e reforçar a identidade do ingrediente dentro de um segmento que reúne diversos coprodutos provenientes do processo de destilação do milho.

O DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) é um coproduto da produção de etanol de milho e concentra parte dos nutrientes presentes no grão original. Na formulação de dietas pecuárias, o ingrediente combina proteína, energia e minerais, podendo substituir parcialmente outros insumos utilizados na alimentação animal, dependendo da estratégia nutricional adotada.

Segundo Rafael Verruck, diretor comercial da Inpasa, o processo industrial de produção de etanol pode gerar diferentes tipos de coprodutos, o que muitas vezes gera confusão no mercado. “O DDGS grãos secos são resultantes do processo de fermentação para a produção de etanol. Dentro da indústria brasileira você tem vários tipos de produtos provenientes do processo de destilação e nem todos eles são DDGS. Hoje existem aproximadamente 14 tipos catalogados no Brasil”, explica.

Diferenciação do produto no mercado

De acordo com Verruck, a criação da marca busca dar maior clareza ao mercado sobre as características do produto produzido pela empresa. “Estamos lançando a marca FortiPro justamente para trazer esse conceito de diferenciação de produto e destacar as características que a gente emprega dentro do nosso processo industrial”, afirma.

A companhia possui cerca de duas décadas de experiência na indústria de etanol de milho, somando operações iniciadas no Paraguai e a expansão mais recente no Brasil. “Estamos aproximadamente há oito anos no Brasil, mas temos mais 12 anos de indústria que nasceu no Paraguai. Ao longo deste período, fomos trazendo as necessidades do produtor e do pecuarista para dentro do nosso processo industrial”, diz.

Segundo o executivo, parte dos investimentos industriais foi direcionada para aprimorar etapas como secagem e extração de óleo, com o objetivo de preservar as características nutricionais do ingrediente durante o processamento.

Experiência no campo

Na prática das fazendas, o DDGS já integra dietas de diferentes sistemas de produção. Cesar Borges, diretor de operações da Real Beef Confinamento, relata que a empresa mantém operações no Mato Grosso com confinamento e recria a pasto. “Nós temos a matriz da empresa localizada em Piracicaba, interior de São Paulo e também as nossas unidades produtivas estão no Mato Grosso, na cidade de Sorriso. Lá, temos um confinamento que abate cerca de 80 mil animais por ano. Além dessa, outra unidade a pasto para recria ou terminação que chega até 100 mil animais abatidos por ano”, conta.

Segundo Borges, a previsibilidade nutricional é um dos fatores observados pelos produtores na escolha de ingredientes para a dieta. “Bovinos precisam de rotina. Qualquer variação pode prejudicar o desempenho e o que deu confiança para a gente foi a consistência deste produto (FortiPro). A gente sabe que o produto que chega na fazenda mantém um padrão”, relata.

O produtor também destaca que o DDGS passou a substituir outras fontes proteicas na formulação das dietas. “Quando passamos a utilizar o produto, não estávamos com DDGS na dieta. A inclusão permitiu reduzir outras fontes proteicas, como o farelo de algodão, que saiu da formulação”, explica.

Características nutricionais do DDGS

Na pecuária de corte, o DDGS é utilizado principalmente como fonte de proteína e energia nas dietas. Verruck destaca que o ingrediente pode substituir parcialmente outros componentes da formulação. “Quando a gente fala de pecuária de corte especialmente o DDGS não é apenas uma proteína. Ele também entra como fonte de energia e pode substituir proporcionalmente farelo de soja, milho e outros componentes da formulação”, explica.

Segundo Borges, a forma como o produto é processado também influencia na disponibilidade dos nutrientes. “Só comparar proteína bruta não explica tudo. Você pode ter dois produtos com o mesmo nível de proteína, mas parte dela pode estar indisponível, dependendo do processo de secagem. Por isso é importante olhar tecnicamente o produto”, afirma.

O DDGS produzido pela Inpasa apresenta concentração mínima de 32% de proteína bruta e matriz nutricional considerada estável ao longo do ano. A companhia informa ainda que o processo industrial inclui controle micotoxicológico e monitoramento de qualidade em diferentes etapas da produção.

Investimentos em pesquisa e expansão industrial

Segundo Verruck, a empresa também tem investido em estudos técnicos para ampliar o conhecimento sobre o uso do ingrediente nas dietas animais. “Existem trabalhos mostrando que a inclusão de DDGS combinada ao núcleo mineral pode suprir parte das exigências nutricionais dos animais, e a empresa tem investido em pesquisas para levar essas informações ao produtor”, afirma.

A Inpasa possui atualmente unidades industriais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de novas plantas em expansão. A empresa inaugurou recentemente uma unidade em Balsas (MA) e prepara o início da operação industrial em Luís Eduardo Magalhães (BA), enquanto outros projetos estão previstos para Goiás e Mato Grosso.

Produção e mercado do ingrediente

Com produção anual de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de DDGS, a companhia está entre as maiores exportadoras brasileiras do ingrediente. O produto também tem sido destinado a mercados internacionais, incluindo países da Ásia, Oceania, Oriente Médio e Europa.

Segundo a empresa, foram investidos cerca de 5 milhões na gestão da marca FortiPro. A iniciativa busca identificar o produto dentro do mercado e destacar os padrões de qualidade e controle adotados pela companhia ao longo da cadeia produtiva.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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