Conflito no Oriente Médio pressiona custos de energia e pode impactar suinocultura global
A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos pode não atingir diretamente as granjas de suínos, mas já provoca efeitos indiretos relevantes sobre a produção animal mundial. O principal impacto está relacionado à elevação dos preços da energia, que influencia custos logísticos, transporte e insumos utilizados na atividade pecuária.
A região do Oriente Médio concentra uma parcela significativa da produção global de petróleo e derivados. Cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, além de aproximadamente 10% do diesel comercializado no planeta, passa pelo estratégico Estreito de Ormuz, localizado entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã.
Com a intensificação das tensões militares, o tráfego marítimo na região passou a representar um risco de segurança. Como resultado, parte dos navios cargueiros tem evitado a travessia do estreito, aguardando maior estabilidade no cenário geopolítico, o que compromete o fluxo normal de petróleo para o mercado internacional.
Petróleo supera US$ 100 e eleva custos de produção
Os efeitos já são percebidos nos mercados globais de energia. Nesta semana, o preço do barril de petróleo bruto ultrapassou a marca de US$ 100 pela primeira vez desde 2022. Antes da escalada do conflito, a cotação girava em torno de US$ 73 por barril.
A valorização da commodity tende a pressionar os custos de gasolina, diesel e eletricidade em diversos países, refletindo diretamente nas despesas operacionais da pecuária, incluindo transporte de ração, climatização de instalações, processamento industrial e logística de exportação.
O cenário lembra o movimento observado em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os preços globais de energia registraram forte alta.
Fertilizantes também sofrem impacto
O conflito também tem potencial para afetar o mercado global de fertilizantes. A interrupção ou restrição no fluxo de cargas pelo Estreito de Ormuz pode pressionar o comércio internacional de produtos à base de nitrogênio e fosfato.
Essa dinâmica já começa a gerar reflexos em diferentes regiões do mundo, incluindo países do Sudeste Asiático, onde os preços de fertilizantes registraram aumento diante das incertezas logísticas e comerciais.
A elevação desses insumos pode influenciar os custos de produção agrícola e, consequentemente, o preço das matérias-primas utilizadas na fabricação de ração animal.
Avicultura no Oriente Médio pode sentir efeitos mais intensos
De acordo com análise do especialista Nan-Dirk Mulder, do Rabobank, o impacto direto sobre a produção animal tende a ser mais significativo no setor avícola do Oriente Médio.
Segundo o analista, embora a região represente cerca de 8% do mercado global de carne de frango, ela responde por quase 15% do comércio internacional do produto e aproximadamente 10% do crescimento da produção mundial.
Países como Irã, Afeganistão e Turquia apresentam forte expansão do consumo de frango, impulsionada pelo crescimento populacional e por políticas voltadas à segurança alimentar.
Nesse contexto, a guerra tem potencial para interromper cadeias logísticas, dificultar a importação de insumos e pressionar mercados altamente dependentes do comércio internacional.
Grãos e matérias-primas ainda mantêm estabilidade
Até o momento, os mercados agrícolas globais não registraram oscilações significativas decorrentes do conflito. De acordo com a publicação agrícola alemã Top Agrar, os preços do trigo e de outros grãos apresentaram apenas variações limitadas.
Situação semelhante foi observada no mercado europeu de subprodutos utilizados na alimentação animal. Segundo a revista agrícola holandesa Boerderij, itens como cascas de batata cozidas no vapor e farelo de trigo permaneceram relativamente estáveis.
No entanto, especialistas avaliam que, caso o conflito se prolongue e os custos de transporte marítimo continuem subindo, a tendência de longo prazo pode ser de aumento no preço das rações.
Evolução do conflito será determinante para o mercado de energia
A evolução dos mercados globais de energia dependerá diretamente da duração das tensões no Oriente Médio e da segurança das rotas marítimas na região.
Dois fatores são considerados decisivos para a trajetória dos preços: a normalização do tráfego de navios no Estreito de Ormuz e a extensão dos danos a instalações petrolíferas.
Ataques recentes atingiram depósitos e infraestruturas energéticas em diferentes pontos do Irã e de países vizinhos. Em alguns casos, unidades produtivas, como usinas de gás, chegaram a ser temporariamente interrompidas, ampliando as incertezas sobre a oferta global de energia nos próximos meses.
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