Aliados dos EUA rejeitam pedido de apoio de Trump no Estreito de Ormuz
![]()
BERLIM/BRUXELAS/LONDRES, 16 Mar (Reuters) - Diversos aliados dos EUA disseram nesta segunda-feira que não tinham planos imediatos para enviar navios a fim de desbloquear o Estreito de Ormuz, rejeitando um pedido do presidente norte-americano, Donald Trump, por apoio militar para manter a via navegável aberta.
Trump pediu que os países ajudassem a policiar o estreito depois que o Irã respondeu aos ataques de EUA e Israel usando drones, mísseis e minas para efetivamente fechar o canal para navios que normalmente transportam um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Alemanha, Espanha e Itália estavam entre os aliados que descartaram a participação em qualquer missão no Golfo Pérsico, pelo menos por enquanto. Outros países foram mais cautelosos, com o Reino Unido e a Dinamarca afirmando que considerariam formas de ajudar, mas enfatizando a necessidade de reduzir a tensão e evitar serem arrastados para a guerra.
"O que (...) Donald Trump espera que um punhado ou dois de fragatas europeias façam no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer?", disse nesta segunda-feira o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, em Berlim, minimizando as ameaças de Trump de que a falta de auxílio de Washington poderia ter consequências para a aliança da Otan.
"Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos", acrescentou.
O conflito não tem nada a ver com a Otan e a Alemanha não tem planos de se envolver nele, afirmou o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius.
"Nem os Estados Unidos nem Israel nos consultaram antes da guerra, e... Washington declarou explicitamente no início da guerra que a ajuda europeia não era necessária nem desejada", disse o porta-voz.
A Espanha afirmou que não fará nada que possa agravar o conflito, enquanto o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, disse que o envio de navios militares para uma zona de guerra seria interpretado como adesão ao conflito.
"A Itália não está em guerra com ninguém e enviar navios militares para uma zona de guerra significaria entrar na guerra", disse Salvini a repórteres em Milão.
Os países da Otan, vários dos quais têm sido alvo de duras críticas de Trump nos últimos meses, estão receosos de irritar a Casa Branca, e alguns sinalizaram disposição para ajudar a encontrar uma solução, mesmo que os planos permaneçam vagos por enquanto.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco está em negociações com as Nações Unidas sobre a possibilidade de replicar um acordo que havia sido usado para permitir a exportação de grãos da Ucrânia durante a guerra com a Rússia.
UE DISCUTE MANDATO DE MISSÃO NO MAR VERMELHO
A UE também está discutindo se poderia alterar o mandato de sua missão naval no Oriente Médio, a Aspides, que atualmente protege navios no Mar Vermelho de ataques do grupo rebelde houthi do Iêmen, para incluir o Estreito de Ormuz, disse Kallas.
Mas a Grécia, que lidera a missão Aspides, limitará sua participação no Oriente Médio ao Mar Vermelho, afirmou o porta-voz do governo, Pavlos Marinakis.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, cuja relutância em ajudar nos ataques iniciais dos EUA atraiu duras críticas de Trump, disse que o Reino Unido trabalharia com os aliados em um plano coletivo para garantir a liberdade de navegação pelo estreito.
Mas ele afirmou que isso não seria fácil e reiterou que o Reino Unido não se deixaria arrastar para uma guerra mais ampla. O Reino Unido possui sistemas autônomos de detecção de minas que poderiam ser utilizados, disse Starmer.
Já a Dinamarca, tradicionalmente um dos aliados mais entusiastas da Otan, mas que entrou em conflito com Trump devido às exigências de que a Groenlândia seja cedida aos EUA, afirmou que a UE deveria considerar ajudar a reabrir o estreito, mesmo que não concordasse com a guerra.
"Mesmo que não gostemos do que está acontecendo, acho sensato manter a mente aberta sobre se a Europa... pode contribuir de alguma forma, mas com vistas à desescalada", disse o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.
O ministro das Relações Exteriores holandês, Tom Berendsen, disse que, caso a Otan concorde com alguma missão no Golfo Pérsico, levaria tempo para elaborar um plano.
"Essas são decisões importantes, e qualquer ação deve ser viável e impactante. Neste momento, nenhuma decisão está em cima da mesa", disse Berendsen nesta segunda-feira em Bruxelas.
(Reportagem de Sabine Siebold, Andreas Rinke, Stine Jacobsen, Angeliki Koutantou, Gavin Jones, Lili Bayer, Anthony Deutsch e David Latona; texto de Charlie Devereux)
0 comentário
Bolsonaro deixa UTI após melhora da infecção, diz Michelle
Governo avalia alternativas para preservar setor aéreo da alta do petróleo
Aliados dos EUA rejeitam pedido de apoio de Trump no Estreito de Ormuz
Ações europeias interrompem três dias de perdas com queda dos preços do petróleo
Chanceler da Alemanha diz que país não participará da guerra contra o Irã
ANP prevê definir nesta semana preço de referência para subsídio ao diesel