Cooxupé prevê exportação de café menor em 2026 enquanto ainda busca retomar "negociações normais" com EUA
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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 18 Mar (Reuters) - A exportação de café da cooperativa Cooxupé, a maior exportadora do produto brasileiro, deverá somar 4,4 milhões de sacas de 60 kg em 2026, cerca de 500 mil sacas a menos do que no ano passado, como reflexo de uma safra menor em 2025, o que impactará os embarques no primeiro semestre, disse o superintendente comercial da organização, Luiz Fernando dos Reis.
Além disso, a queda prevista na exportação acontece após os Estados Unidos, maiores consumidores globais, terem ampliado estoques de outras origens, como da Colômbia, depois de um período em que as tarifas aplicadas por Donald Trump ao produto brasileiro dificultaram os negócios, que ainda não voltaram ao normal, afirmou o superintendente.
A Cooxupé, com sede em Guaxupé (MG) e atuação nas principais regiões produtoras de Minas Gerais e São Paulo, trabalha exclusivamente com a exportação de café arábica, tendo a Colômbia -- especializada em arábicas de alta qualidade -- como concorrente direto.
A produção do Brasil deverá atingir um recorde em 2026, impulsionada pelas lavouras de café arábica, segundo consultorias privadas.
"Os nossos clientes levaram todo o café e cumpriram todos os contratos (no período das tarifas, de agosto a novembro). No entanto, neste período, não fizemos novos negócios com os EUA. Isso é um problema", afirmou o superintendente, lembrando que as taxas deixaram o café brasileiro muito caro no final do ano passado.
"Os americanos montaram um certo estoque com café de outras origens. E há estoques extremamente baixos de cafés do Brasil", acrescentou ele, que acabou de voltar de uma conferência do setor nos EUA.
Reis avaliou que ainda há incertezas para negócios com o Brasil. "Ainda não retomamos negociações normais com os EUA, estamos passando por novo processo de investigação...", afirmou ele, em referência à investigação comercial dos EUA que ainda acontece, apesar da suspensão das tarifas.
Segundo o superintendente comercial da maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, esse processo gera "dúvidas" nos participantes, limitando a assinatura de contratos de longo prazo.
"Temos um mercado a retomar, paga bons preços, precisamos de todos os mercados abertos até para poder criar poder de barganha com os outros", completou. "Temos o desafio que é retomar o mercado americano, que não voltou ao normal para compras do Brasil."
No primeiro bimestre, segundo dados do conselho de exportadores Cecafé, os Estados Unidos foram o segundo maior destino do café brasileiro, atrás da Alemanha. Os embarques aos norte-americanos caíram 45,8% em relação ao mesmo período do ano passado, para 655.998 sacas.
SAFRA MAIOR, EMBARQUE MENOR
Durante coletiva de imprensa por ocasião da feira de máquinas e implementos agrícolas Femagri, em Guaxupé, Reis afirmou que os embarques totais da cooperativa (incluindo mercado interno) deverão somar 5,8 milhões de sacas neste ano, versus 6,4 milhões em 2025.
O superintendente comercial comentou, diante da expectativa de uma produção maior em 2026, que os embarques deverão ser ampliados no segundo semestre, com a cooperativa já contando com o produto da safra nova.
Ele disse também que as exportações no primeiro semestre de 2027 deverão avançar, com impulso dos maiores estoques gerados pela produção de 2026.
O vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho, ressaltou que a região está indo para uma safra um pouco melhor, concordando com Reis, mas ele não descartou eventualmente exportações maiores do que o esperado, na hipótese de a colheita surpreender positivamente em 2026.
"Ano de safra alta é sempre um ano de embarque menor, e ano de safra menor é sempre um ano de embarque maior. Estamos vivendo uma safra melhor e possivelmente o embarque tende a ser menor", disse Bachião Filho.
A colheita de café arábica, que tem um ciclo bianual que oscila entre altas e baixas produtividades, começa em meados do ano, ampliando os estoques durante o segundo semestre.
"Agora a gente precisa colher a safra para entender o tamanho que ela é, e quem sabe Deus ajuda de ser uma safra muito boa, e mesmo em um ano que deveria ter um embarque menor a gente consiga chegar aos níveis de embarque do ano de 2025", disse.
Segundo ele, isso seria importante para "a gente conseguir embarcar mais para não continuar perdendo mercado internacional".
Caso isso continue, "vai doer no bolso de todos os produtores do Brasil".
(Por Roberto Samora)
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