Dólar sobe em dia de ajustes após decisões sobre juros nos EUA e no Brasil
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 19 Mar (Reuters) - O dólar segue em alta nesta quinta-feira no Brasil, com investidores reagindo à decisão da véspera do Banco Central, que cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, e ao anúncio do Federal Reserve, que manteve sua taxa de juros.
Em meio aos ajustes após as decisões, o BC ofertou ao mercado nesta manhã o "casadão" -- operação em que são vendidos simultaneamente dólares à vista e contratos de swap cambial reverso, que equivalem à compra de dólares no mercado futuro.
Às 10h40, o dólar à vista subia 0,64%, aos R$5,2772 na venda, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante divisas como o peso chileno e o peso mexicano.
Na B3, o contrato de dólar futuro para abril -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 0,59%, aos R$5,2900.
Na tarde de quarta-feira o Federal Reserve anunciou a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como era largamente esperado pelo mercado, e adotou um discurso cauteloso em relação ao futuro da política monetária.
Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas e que ainda é cedo para saber a duração de seus efeitos sobre a economia.
À noite, foi a vez de o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciar o corte de 0,25 ponto percentual da Selic, para 14,75% ao ano, afirmando estar dando início a um ciclo de "calibração" da política monetária, mas ressaltando que o cenário demanda cautela. O BC citou o "forte aumento da incerteza" e o "distanciamento adicional" das projeções de inflação em relação à meta, com os riscos tendo se intensificado a partir dos conflitos no Oriente Médio.
No fechamento da sessão de quarta-feira, o dólar já havia ganhado força ante o real na esteira da decisão do Fed e, nesta manhã de quinta-feira, o viés de alta permanece.
"Agora, há maior convergência em torno de menos reduções (de juros pelo Fed) ao longo do tempo, o que favoreceu o dólar ontem", disse nesta manhã Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex, em comentário escrito.
"Esse é um dos fatores que também pressionam o real hoje. Além disso, apesar de o Copom ter adotado um tom mais cauteloso, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio, a trajetória de redução de juros no Brasil diminui o diferencial de taxas, o que contribui para uma piora no cenário doméstico."
O diferencial de juros entre Brasil e EUA vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
Neste cenário, o BC vendeu nesta manhã, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
Ao fazer o "casadão", o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em que os agentes demandam mais dólares à vista do que swaps tradicionais.
Às 11h30, o BC realiza sua tradicional operação de swap cambial tradicional, com oferta de 50.000 contratos (US$2,5 bilhões), para rolagem do vencimento de 1º de abril.
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