Europa se esforça para limitar efeitos da escalada de preços de energia em meio à guerra
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Por Andrew Mills e Timour Azhari
DOHA/RIAD, 19 Mar (Reuters) - Países europeus agiam para tentar amortecer o impacto da alta dos preços do petróleo nesta quinta-feira depois de ataques retaliatórios a usinas de energia do Golfo Pérsico, incluindo a maior usina de gás do mundo no Catar, na escalada economicamente mais significativa da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
A gigante petrolífera estatal QatarEnergy relatou "danos extensos" depois que mísseis iranianos atingiram a Cidade Industrial de Ras Laffan, que processa cerca de 20% do gás natural liquefeito do mundo, em resposta ao bombardeio de Israel ao principal campo de gás do Irã. O porto de petróleo de reserva da Arábia Saudita no Mar Vermelho também foi atacado.
Os ataques aparentemente precisos foram uma demonstração dramática da capacidade contínua do Irã de cobrar um preço alto pela campanha israelense-americana e dos limites das defesas aéreas para proteger um dos ativos mais valiosos e estratégicos da região do Golfo Pérsico.
Eles também sugeriram uma falta de coordenação estratégica e dos objetivos da guerra entre os dois principais agressores quase três semanas após o início dos conflitos.
JUROS E PREÇOS DE ENERGIA PREOCUPAM EUROPA
Conforme o aumento dos preços da energia alimentou temores com a inflação, a probabilidade de aumento das taxas de juros aumentou antes das reuniões de quinta-feira do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra. O Banco da Inglaterra, no entanto, manteve os juros estáveis, ainda que alguns membros tenham levantado a possibilidade de um aumento. O BCE anuncia sua decisão às 10h15 (horário de Brasília).
Os líderes da União Europeia também deveriam tentar compensar o salto nos custos de energia em uma cúpula em Bruxelas, com poucas opções fáceis disponíveis.
Os futuros do Brent subiam cerca de 7%, para mais de US$114 por barril, no início da manhã. Enquanto isso, os preços do gás na Europa tiveram um salto de mais de 60% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. [O/R]
As ações japonesas e sul-coreanas caíram cerca de 3%, enquanto o índice pan-europeu caiu 2%. [MKTS/GLOB]
Os ataques aéreos iranianos desde quarta-feira também forçaram os Emirados Árabes Unidos a fechar sua instalação de gás Habshan e provocaram incêndios nas refinarias de petróleo de Mina Al Ahmadi e Abdullah Port, no Kuweit.
A Arábia Saudita interceptou um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, a cidade portuária que serve como a única saída do reino para as exportações de petróleo bruto desde que o Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo.
Um drone também caiu sobre a refinaria da Aramco-Exxon, SAMREF, em Yanbu, informou o Ministério da Defesa saudita, acrescentando que os danos estavam sendo avaliados.
A Arábia Saudita disse que interceptou e destruiu quatro mísseis balísticos lançados em direção à capital Riad na quarta-feira, bem como uma tentativa de ataque de drone a uma instalação de gás no leste do país.
O comando das forças armadas do Irã disse que os ataques à infraestrutura de energia do Irã levaram a "uma nova etapa na guerra", na qual o país atacou instalações de energia ligadas aos Estados Unidos.
"Se os ataques (às instalações de energia do Irã) voltarem a acontecer, outros ataques à sua infraestrutura de energia e à de seus aliados não pararão até que ela seja completamente destruída", disse o porta-voz Ebrahim Zolfaqari, segundo a mídia estatal.
TRUMP DIZ QUE ISRAEL AGIU SOZINHO EM ATAQUE AO CAMPO DE GÁS
Trump disse que os Estados Unidos não tinham conhecimento prévio do ataque de Israel ao campo de gás do Irã e que o Catar -- um parceiro próximo de Washington e sede da maior base aérea dos EUA no Golfo -- não estava envolvido.
"Israel, com raiva do que aconteceu no Oriente Médio, atacou violentamente uma importante instalação conhecida como Campo de Gás de South Pars no Irã", publicou Trump no X.
"Infelizmente, o Irã não sabia disso nem de nenhum dos fatos pertinentes ao ataque a South Pars, e atacou de forma injustificada e injusta uma parte da instalação de gás GNL do Catar."
O Wall Street Journal, no entanto, informou que Trump havia apoiado o plano de Israel de atacar South Pars, e a mídia israelense divulgou amplamente na quarta-feira que o ataque havia sido realizado com o consentimento de Trump e em coordenação com Washington.
Uma fonte com conhecimento da campanha israelense disse que os comentários de Trump foram surpreendentes, uma vez que Israel estava coordenando de perto sua campanha com os EUA.
Israel tem esperado que a pressão militar sustentada sobre o Irã, incluindo o assassinato de figuras importantes, enfraqueça o governo o suficiente para desencadear uma revolta popular.
No entanto, as autoridades israelenses reconheceram publicamente que esse resultado está longe de ser certo, e há poucos sinais de que o governo de Teerã esteja perdendo o controle.
Em sua postagem, Trump disse que, se o Irã atacasse o Catar novamente, "os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, explodirão maciçamente todo o campo de gás de South Pars com uma força e um poder que o Irã nunca viu ou testemunhou antes".
South Pars é a fatia iraniana do maior depósito de gás natural do mundo, compartilhado com o Catar .
Desde o início do conflito, Teerã tem como alvo não apenas Israel, mas também instalações diplomáticas e militares dos EUA em todo o Golfo, ao mesmo tempo em que adverte os estados vizinhos contra a realização de ataques ao Irã.
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